Coalizão de Macron e oposição de esquerda empatam no primeiro turno das legislativas, aponta boca de urna

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

A coalizão do presidente da França, Emmanuel Macron, e a aliança de esquerda Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), recém-formada para fazer frente ao líder francês, empataram no primeiro turno das eleições legislativas neste domingo, com 25,2% dos votos cada uma, segundo apontou a boca de urna divulgada logo após o encerramento da votação.

'Terceiro turno' francês: Eleição legislativa testa nova frente de esquerda e ameaça maioria parlamentar de Macron

Desafio: Macron enfrenta França dividida e risco de oposição radical à direita e à esquerda no segundo mandato

Artigo: De símbolo da renovação, Macron vira única alternativa na França

Em terceiro lugar, com 18,9% dos votos, segundo as estimativas, ficou a ultradireitista Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, que disputou o segundo turno da eleição presidencial em abril com Macron. A coalizão da direita tradicional, liderada pelo partido Os Republicanos, ficou em quarto, com 13,7%, e a Reconquista, de Éric Zemmour, também de extrema direita, em quinto, com 3,9%.

A estimativa dos institutos Ipsos e Sopra Steria para veículos jornalísticos franceses também apontou um recorde na abstenção em votações para a Assembleia Nacional na V República, em vigor desde 1958, com 52,8% dos eleitores optando por não votar.

Apesar de ser precisa ao apontar a proporção de votos nos partidos e nas alianças, a boca de urna ainda não consegue adiantar com precisão o número de assentos que cada sigla conquistará na Assembleia Nacional, já que na França o pleito parlamentar tem segundo turno — que será realizado no próximo domingo, 19 de junho. No entanto, a distribuição do voto indica que haverá um Parlamento fragmentado e confirma que o recém-reeleito Macron terá mais dificuldades de manter a maioria parlamentar que teve no primeiro mandato.

De acordo com as primeiras projeções, a coalizão Juntos, de Macron, pode fazer entre 255 e 295 cadeiras, e a Nupes entre 150 e 190. A direita tradicional faria entre 50 e 80, a Reunião Nacional entre 20 e 45, e as demais forças entre 10 e 17. O número de deputados mínimo para formar uma bancada é de 15, e a maioria absoluta requer 289 cadeiras.

Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda radical França Insubmissa, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial de abril e liderou a formação da Nupes, pediu aos eleitores que votem no segundo turno para derrotar o presidente.

— A verdade é que o partido presidencial, neste primeiro turno, foi derrotado. Pela primeira vez na V República um presidente recém-reeleito não consegue obter uma maioria na eleição legislativa. Eu apelo a nossos eleitores, em vista desse resultado e e da oportunidade extraordinária que ele representa para nossas vidas e o destino da pátria comum, a comparecerem às urnas no próximo domingo — disse o opositor.

Futuro: Impacto econômico da guerra na Ucrânia paira sobre governo francês

Já a primeira-ministra recém-nomeada por Macron, Élisabeth Borne, pediu uma maioria "forte e clara" no segundo turno para o partido presidencial:

— Somos a única força política capaz de obter maioria na Assembleia Nacional. Temos uma semana para convencer. Apenas nós temos um projeto coerente e responsável. Apelo a todas as forças republicanas a se unirem em torno desse projeto. (...) Diante dos extremos, não cederemos, de um lado ou de outro — disse ela.

No total, todas as 577 cadeiras da Assembleia Nacional estão em jogo para um mandato de cinco anos. Para Macron conseguir implementar seu programa de reformas sem depender de coalizões com outras forças, ainda que informais, seu grupo Juntos! — formado pelo partido presidencial República em Marcha e pelas siglas de centro-direita MoDem, Agir e Horizons — precisará obter no mínimo os 289 assentos que configuram a maioria absoluta.

O presidente francês precisa da Assembleia Nacional para cumprir seus objetivos de política interna, aprovar gastos e fazer alterações na Constituição. Uma das principais medidas que o presidente quer implementar é o aumento da idade mínima da aposentadora, de 62 para 65 anos.

Em 2017, quando foi eleito pela primeira vez para a Presidência, Macron elegeu 313 deputados, chegando a 360 parlamentares se somados os 47 assentos do MoDem.

A disputa dessa vez foi mais apertada. O grande problema para Macron é a Nupes, formada, além da França Insubmissa, pelos partidos ecologista, socialista e comunista. As siglas construíram uma aliança das principais forças de esquerda no país, deixando de lado disputas pessoais e diferenças ideológicas para montar uma frente unida contra o atual chefe de Estado.

Se Macron perder muitas cadeiras, ele poderá ter que buscar apoio de deputados da Nupes ou de outros opositores em determinados projetos de lei. Apesar de ser improvável, a aliança de esquerda almeja conquistar uma maioria absoluta na Assembleia Nacional, forçando Macron a nomear um novo primeiro-ministro oriundo da Nupes — possivelmente Mélenchon — e formar um novo Gabinete, o que potencialmente bloquearia boa parte da agenda do líder francês.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos