Coalizão Nacional Síria rejeita plano russo

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em Moscou, no dia 11 de agosto de 2015

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, se reuniu nesta quinta-feira em Moscou com o líder da coalizão de oposição síria, que rejeitou sua proposta de formar uma coalizão internacional que integre o Exército sírio para combater o grupo Estado Islâmico (EI).

"Todos temos o interesse em cortar o caminho do terrorismo (...) o mais importante agora é transformar esta vontade em atos concretos e coordenados", declarou Lavrov no início de seu encontro com o presidente da Coalizão Nacional Síria, Khaled Khoja.

A Rússia "está em contato com todas as forças políticas da Síria, tanto com o governo quanto com os grupos de oposição", lembrou.

A Rússia defende uma coalizão internacional ampliada que inclua Turquia, Iraque e Arábia Saudita, mas também o Exército sírio e, portanto, o presidente Bashar al-Assad, para lutar contra o EI. Atualmente, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos, e da qual formam parte os sauditas, realiza operações militares contra o EI no Iraque e na Síria.

Uma proposta russa que Khoja, líder do principal grupo opositor no exílio, rejeitou claramente ao pedir a saída de Assad em uma entrevista à agência de notícias Interfax publicada horas antes de sua reunião com Lavrov.

O presidente sírio é a raiz do problema, declarou Khoja, acrescentando que "Assad não tem nenhum papel a desempenhar no futuro da Síria".

Desde que o presidente russo, Vladimir Putin, mencionou no dia 29 de junho a ideia de uma coalizão ampliada, Lavrov tentou convencer os países da região a se unirem, sem grande êxito até o momento.

Lavrov já falou do plano com o chefe da diplomacia saudita, Adel al Jubeir. Ele também rejeitou firmemente a iniciativa russa e reiterou seu chamado à saída do presidente sírio.

Depois da Coalizão Nacional Síria, Lavrov receberá na sexta-feira uma delegação da Conferência do Cairo dirigida pelo opositor sírio Haytham Manna, assim como o diplomata egípcio Ramzi Ezzedin Ramzi, adjunto do emissário da ONU na Síria Staffan de Mistura.

Saleh Moslem, dirigente da União Democrática Curda (PYD), principal formação curda na Síria, também se encontra em Moscou.