Cobertura de R$ 3 milhões que foi de ex-piloto condenado por transportar cocaína em avião da FAB vai a leilão

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Um apartamento que pertenceu ao ex-piloto da Força Aérea Brasileira (FAB) Washington Vieira da Silva, preso em 1999 por tráfico de drogas, será leiloado no próximo dia 16. O imóvel, uma cobertura avaliada em mais de R$ 3 milhões, está localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Após ter sido condenado na Justiça a 17 anos de prisão, acusado de ter transportado cocaína em um avião da FAB, Silva teve os bens confiscados pela Justiça Federal. Hoje, o apartamento pertence à União.

Em 17 de julho deste ano, o apartamento foi avaliado por um engenheiro em R$ 3,2 milhões. O profissional apontou que o imóvel tem estado “bom com necessidade de reparos importantes”. O apartamento conta com dois andares, salas amplas, varandas e três quartos , sendo dois deles suítes.

O lance inicial para o imóvel, que tem 400 metros quadrados, é de R$ 1,6 milhão e o leilão ocorre de forma virtual. Desde o dia 16 de agosto, as ofertas já podem ser feitas e se encerram no próximo dia 16 de setembro, às 14h. Por enquanto, nenhum lance foi dado.

Washington, que hoje é piloto civil, tentou reverter na Justiça Federal a perda do imóvel, alegando que a decisão em 2ª instância do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, de 2007, determinou o confisco de seus bens adquiridos apenas a partir de 1997. Ele alega que o apartamento foi comprado antes. Na Justiça Federal, seus pedidos não foram aceitos.

Segundo o advogado Marcos Damião Zanetti de Moura, que representou o ex-militar em uma das ações, ainda tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido para retirar o apartamento da lista de bens confiscados.

O processo criminal no qual Washington foi condenado a 17 anos de prisão por tráfico de drogas já transitou em julgado, não cabendo mais recurso, por isso o leilão ocorre de forma extrajudicial.

Apesar da decisão de confisco do imóvel ser de 2007, a União só iniciou os trâmites para se apropriar do imóvel em abril de 2015. Em maio, Washington e a mulher foram notificados para deixar o apartamento. A União precisou entrar na Justiça para que eles saíssem do imóvel, o que só ocorreu em 2017.

Desde o ano passado, os leilões de bens apreendidos por ordem judicial são organizados pela Secretaria Nacional de Política Sobre Drogas (Senad) e fazem parte de uma política do Ministério da Justiça, que tem intensificado a venda de bens de criminosos no intuito de reverter o dinheiro arrecadado para a União e para os Estados.

Washington já cumpriu a pena de 17 anos de prisão à qual foi condenado e hoje trabalha como piloto civil. Ele foi expulso da FAB em abril de 2012, quando foi considerado “indigno para o oficialato”. De acordo com a assessoria de imprensa da Aeronáutica, “ele cumpriu a pena conforme as decisões determinadas pelos órgãos de Justiça”.

O grupo integrado pelo ex-militar era considerado uma das maiores quadrilhas de traficantes internacionais em atuação no Brasil. Utilizando aviões da FAB, eles traziam para o Rio cocaína da Bolívia e da Colômbia e transportavam em seguida para a Europa.

Em abril de 1999, a Polícia Federal apreendeu 33 quilos de cocaína pura na Base Aérea de Recife em um avião Hércules C-130 da FAB que saiu do Rio com destino à Espanha. Na época, além de Washington, outros três militares foram acusados de envolvimento no esquema. O chefe da quadrilha era americano John Michael White, que cumpre até hoje no Rio de Janeiro. Condenado a 54 anos de prisão, ele atualmente está em regime aberto.

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