Cobrança da Light gera reclamações de consumidores

Letycia Cardoso
·3 minuto de leitura
Arquivo O Globo
Arquivo O Globo

RIO - Moradores do Rio têm sido surpreendidos pela Light com a acusação de desvio de energia. Ao apontar que clientes têm “gato de luz”, a concessionária aplica cobrança que pode passar de R$ 8 mil. Consumidores dizem que não há justificativa para alto consumo, mas resposta não é aceita.

Foi o que aconteceu com o casal de idosos Rosa, de 64 anos, e Carlos Vianna, de 65 anos. Moradores do Maracanã, tiveram o relógio trocado pela empresa e começaram a receber visitas regulares de técnicos. A conta de luz variava entre R$ 120 e R$ 160. Este mês receberam carta com aviso de processo administrativo, cobrando R$ 8.308,91 relativo ao período de maio a outubro.

Segundo Rosana De Biase, nora do casal, a Light justificou a cobrança supondo um número grande de equipamentos. Após reclamação, voltou ao local para fazer nova lista de eletrodomésticos.

— A minha sogra não usa nem secador de cabelo! Recentemente, trocaram uma geladeira bem antiga por outra nova e mais econômica — defende Rosana.

Há dois anos, a professora Patrícia Gregório, de 46 anos, enfrentou problema semelhante. Após a morte do sogro, a família retirou móveis e pertences, mas manteve a energia ligada caso precisasse ir à casa e permaneceu pagando a tarifa mínima. Segundo ela, técnicos visitaram a casa no Alto da Boa Vista e afirmaram que a conta era incompatível:

— Recebemos multa de R$ 7 mil por furto de energia. Reclamamos na ouvidoria, levamos a documentação e, chegando lá, indeferiram. Para nos livrarmos da dor de cabeça, vendemos a casa e quem comprou fez nova instalação.

O professor Roberto Farias, de 49 anos, foi cobrado por estimativa. Morando em Sepetiba, dormia uma vez por semana em Belford Roxo onde lecionava. A conta que era inferior a R$ 50, passou para R$ 150 de repente. Foi então que ele procurou um advogado e processou a Light:

— Parece que não adianta fazer esforço para economizar, tentar tirar os aparelhos da tomada porque, ao invés de diminuir a conta, corre o risco de ser acusado de fazer gato e ter de pagar mais!

A advogada Isabela Meijueiro, especialista em Direito do Consumidor, orienta a entrar em contato com a Light para questionar o termo de ocorrência de irregularidade (TOI), apresentando a justificativa da redução do consumo. Se não conseguir reverter o quadro, o passo seguinte é procurar a Justiça:

— Se a pessoa tiver provas concretas, pode reclamar nos juizados de pequenas causas. Mas, se for necessário perícia, é preciso entrar com processo na vara cível.

A Light disse que não tem como apurar o caso de Patrícia, já que não foi informado o número de instalação e que não comenta o caso de Farias por estar no Judiciário. Sobre a multa ao casal Rosa e Carlos Vianna, disse que técnicos estiveram em outubro no local após queda de consumo atípica. Na visita, a empresa afirma que foi constatado que a ligação estava invertida, irregularidade que reduz artificialmente o consumo.

Vistoria acompanhada

A empresa diz em nota que a vistoria foi acompanhada por Rosa dos Santos Costa Vianna, que se apresentou como filha dos donos da casa. Foi feito levantamento dos equipamentos existentes, com o acompanhamento de Rosa, para constatar a carga instalada na casa.

“Com base na carga verificada pelos técnicos, que consta no termo assinado pela sra. Rosa, foi feita a cobrança pelos seis meses em que houve a queda repentina no consumo. Assim chegou-se ao valor de R$ 8.308,91”, afirmou a Light.