Cobrança por entregas rápidas, data semanal para receber parlamentares e canto indígena: bastidores da primeira reunião ministerial de Lula

Na declaração com que encerrou a primeira reunião ministerial de seu novo governo nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula cobrou de forma veemente dos auxiliares que façam “entregas” já nos primeiros meses de gestão. Os 37 ministros e os três líderes do governo falaram e apresentaram um breve panorama das suas áreas.

Na hora de falar das ações que planeja para a sua pasta, a titular dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, que ainda não tomou posse, cantou uma música em Tentehar, sua língua original. À mesa foram servidos pães de queijo.

O discurso final do presidente não foi transmitido. De acordo com relatos dos participantes, Lula disse que, passada a primeira semana de governo, marcada por cerimônias de posses e montagem de equipes, chegou a hora de os ministros mostrarem trabalho. Ele argumentou que a população vai começar a cobrar resultados em breve. Será papel do titular da Casa Civil, Rui Costa, cobrar permanentemente os titulares das demais pastas por resultados concretos.

O presidente pediu ainda que os ministros se empenhem a manter um clima de otimismo e, para isso, falem menos das dificuldades que serão enfrentadas e mais das soluções discutidas. Ressaltou que é preciso foco especial nas áreas de educação e saúde e defendeu uma campanha de vacinação.

As entregas, de acordo com o mandatário, não precisam ser necessariamente de obras, mas de ações e políticas públicas que tenham impacto no dia-a-dia da população. Quando falava das entregas, Lula se dirigiu ao ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, e, em tom de brincadeira, disse que era preciso entregar “nem que fosse uma canoa”.

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, reforçou o pedido feito por Lula na abertura da reunião, quando o presidente orientou que seus ministros mantenham suas portas abertas aos integrantes do Congresso. O petista disse que eles "têm a obrigação de manter a mais harmônica relação" com deputados e senadores. Padilha sugeriu que os presentes a priorizarem terças e quartas-feiras para atender parlamentares.

Ainda segundo relatos, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, deu uma declaração forte em que condenou o feminicídio e os assassinatos de jovens negros nas periferias do país.

Ao falar, o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, abordou os acampamentos montados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em frente a quartéis para contestar o resultado das eleições. Múcio disse que o número de acampados chegou a 45 mil pessoas em todo Brasil e atualmente não passa de 5 mil, segundo ele. O ministro afirmou que está conversando com os grupos que ainda resistem em sair.

Ao falar sobre sua área, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, não tratou de qualquer reforma da aposentadoria. Após assumir o cargo, Lupi criou um mal-estar no governo ao chamar as mudanças aprovadas em 2019 de antirreforma. Ele chegou a ser desautorizado pelo ministro da Casa Civil, que afirmou não haver estudos para alterar a legislação.

Quando estava com a palavra, Lupi tratou de ações da pasta e foi questionado por Rui Costa sobre a fila situação da fila do INSS. O ministro respondeu com os dados que tinha em mãos e falou que iria trabalhar para melhorar a situação.

A reunião começou pouco depois das 10h e se estendeu até por volta das 14h30. Mesmo assim, não foi servido almoço. Os ministros disfarçaram a fome apenas com pão de queijo.

Os ministros foram obrigados a deixarem os celulares do lado de fora da sala suprema do Palácio do Planalto. Os aparelhos ficaram em um armário. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, acompanhou a reunião, mas não se sentou à mesa.