Vídeo: 'Cofrinho' da era Viking, com moedas cunhadas há mil anos, é encontrado na Ilha de Man

·3 minuto de leitura
Manx-Museum-moeda.jpg

RIO — Os itens de um "cofrinho" da era Viking encontrado em abril deste ano na Ilha de Man, no mar da Irlanda, foram considerados, literalmente, como um tesouro na última semana, após realização de perícia pela organização Manx National Heritage, responsável pelo patrimônio da localidade, que é uma dependência autônoma do Reino Unido.

O tesouro em questão, descoberto por uma entusiasta usando um detector de metais, consiste em 87 moedas de prata, 13 peças lapidadas ou hacksilver (termo para material usado como dinheiro naquela época), argolas de prata e demais artefados do gênero. A mulher responsável por localizar as peças, identificada como Kath Giles, busca produtos valiosos há três anos e essa foi sua quarta investida de sucesso.

— Este é um achado maravilhoso que ajuda a aprofundar nossa compreensão da economia surpreendentemente complexa da Era Viking na Ilha de Man e ao redor da área do mar da Irlanda — afirmou Allison Fox, curadora de arqueologia da instituição.

Um vídeo divulgado pelo Manx National Heritage mostra a variedade de materiais que compõem o tesouro. Assista:

Fox contou que a pesquisadora independente Kristin Bornholdt-Collins, residente em New Hampshire, EUA, confirmou que o tesouro inclui moedas cunhadas onde hoje é a Irlanda, Inglaterra e Alemanha, além da própria Ilha de Man.

— Como nossas moedas modernas, muitas têm uma imagem do monarca. Nas moedas irlandesas e manesas, o perfil do rei Sihtric Silkbeard (Barda de Seda) que serviu como rei Nórdico de Dublin por volta de 989 a 1036 pode ser visto, parecendo estar dando um aceno de mil anos atrás! O rei Cnut, o rei Aethelred II da Inglaterra e também um Sacro Imperador Romano, Otto da Saxônia também podem ser vistos (nos materiais encontrados) — descreveu a curadora.

De acordo com Fox, algumas das moedas têm um desenho conhecido como "cruz comprida". Suas linhas foram usadas para cortá-las quando, literalmente, apenas metade da quantia era necessária. Já as peças lapidadas faziam parte de um sistema flexível de pagamento, em que o valor dependia do peso e da pureza da prata. Assim, sua estimativa é que os itens hacksilver tenham mais de 90% de teor de prata.

Segundo Bornholdt Collins, outro especialista ouvido pela organização manesa, a maior parte do conteúdo que estava dentro do "cofrinho" reflete o dinheiro que estava em circulação no período de 1020 a 1030.

— O novo tesouro pode ser comparado a uma carteira contendo todos os tipos de cartões de crédito, notas e moedas, talvez de diferentes nacionalidades, como quando você se prepara para viajar para o exterior, e mostra a variedade de moedas disponíveis para um comerciante do mar da Irlanda ou habitante da Ilha de Man neste período — explicou Collins.

A análise daquele dinheiro Viking concluiu que seu conteúdo equivalia a uma "economia discreta", como uma "riqueza pessoal dentro da média, que provavelmente foi acumulada ao longo de alguns anos", podendo ser comparada a "uma conta de poupança de curto prazo".

O "cofrinho" deixou a Ilha de Man para passar por uma revisão pelo Comitê de Avaliação do Tesouro, órgão independente que se reúne no Museu Britânico e fornece conselhos sobre antiguidades.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos