Colégio Pedro II retoma aula presencial após pressão judicial: entenda como será essa volta escalonada às unidades

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Na manhã desta segunda-feira, 22, poucos alunos do Colégio Pedro II tiveram o gostinho de retornar ao ensino presencial, no formato de tira-dúvidas. Após a pressão judicial, a reitoria decidiu que a volta às salas de aula, que estava prevista somente para março do ano que vem, ocorreria a partir desta semana de forma escalonada e para tirar dúvidas sobre o conteúdo que seguirá sendo dado virtualmente. O Pedro II divulgou o retorno 100% presencial somente para o início de fevereiro de 2022.

Por ora, por decisão da reitoria, o retorno presencial não é obrigatório. As aulas com a transmissão dos conteúdos das matérias continuarão no modelo remoto. As atividades presenciais, neste momento, têm o objetivo de acolher, socializar e dar apoio pedagógico a estudantes em reforço escolar, segundo o colégio.

As aulas nessa retomada acontecem no contraturno do horário em que o aluno está matriculado. Ou seja: se ele estuda de manhã, as aulas remotas, com a transmissão dos conteúdos, seguem no mesmo horário; e a ida presencial, para tirar dúvidas, é à tarde. Mas sem recreio, o que entristeceu alguns alunos neste recomeço:

— O lado ruim é que não podemos correr, brincar, mas gostei — falou Arthur Penna Firme, de 10 anos, de São Cristóvão.

Por “grupo” previsto, as aulas serão presenciais a cada 15 dias. Como o recesso escolar começa dia 23 de dezembro, muitos alunos vão ter apenas dois encontros presenciais neste ano.

Por dia, somente 20% das turmas terão atividades presenciais. E mesmo assim apenas com metade dos alunos previstos por vez. O horário também é reduzido: cada atividade presencial dura no mínimo 40 minutos e no máximo três horas — o tempo de cada série varia de acordo com a direção do campus. Ontem, em São Cristóvão, alunos do 5º ano ficaram uma hora em sala, enquanto alunos do 6º ano ficaram 3 horas.

Segundo a direção do colégio, a divisão de séries por dia foi determinada por uma pesquisa de adesão feita por cada unidade. Na ocasião, as famílias puderam demonstrar interesse sobre a continuidade do remoto ou o retorno das aulas presenciais, e as que mais tiveram aprovação retornaram.

Volta em São Cristóvão, a maior unidade da rede

No campus São Cristóvão, nesta segunda-feira, 22, o quórum foi baixíssimo. Apenas alunos do 5º e do 6º ano estiveram presentes. A unidade é a maior da rede, com 1.100 alunos e 40 turmas diariamente, no cenário normal.

Nesta segunda-feira, primeiro dia de aula presencial no Pedro II, o aposentado Raimundo da Silva, de 71 anos, foi buscar a pequena Julia, de 11, do 6º ano de São Cristóvão. Segundo a estudante, apenas duas pessoas da turma dela foram à aula:

— Os professores resolveram juntar as turmas em uma sala só por causa do número pequeno. Ficamos aproximadamente 15 minutos com cada professor.

Um professor que preferiu não se identificar diz que está feliz com o retorno presencial, mesmo achando que o adequado seria voltar somente em 2022, conforme o planejado, por causa da organização:

— O quórum foi baixo, poucos alunos vieram. Mas estamos vindo. Fico feliz com o retorno, mesmo que emergencial, de uma forma menos planejada do que seria se fosse em 2022.

Também na unidade São Cristóvão, nesta segunda-feira, o policial militar Bruno Lopes, de 34 anos, levou a filha Alice, de 10, aluna do 5º ano, para a aula. Para ele, o retorno presencial não faz diferença,já que julga o ensino remoto bom:

— Acho que não faz muito sentido mandar de 15 em 15 dias. Só a trouxe porque ela estava muito animada. Por mim, continuaria no remoto, acho que o remoto funcionou para ela.

A servidora Fernanda Barbosa, de 49 anos, também levou a filha Flavia, de 11, do 5º ano da maior unidade da rede, para a aula nesta segunda, 22. Para ela, no entanto, o retorno presencial, mesmo que aos poucos, é positivo:

— Eu vi um número expressivo de crianças. Aprovo o retorno. Eles precisam. O número de aulas presenciais não é o adequado, mas estamos voltando aos poucos, entendo.

A estudante Viviane Moraes, de 46 anos, que levou a filha Ana Maria, de 10, às atividades do 5º ano ontem, contou:

— Minha filha nem dormiu. Estava superansiosa. Acho interessante voltar, elas precisam da troca.

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