Colômbia anuncia força de elite contra guerrilheiros e narcotraficantes

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Foto divulgada pela presidência colombiana do presidente colombiano Ivan Duque (C) em um caminhão militar ao lado de seu novo ministro da Defesa, Diego Molano (E), durante cerimônia na escola militar de Bogotá em 6 de fevereiro de 2021

O presidente colombiano Iván Duque anunciou nesta segunda-feira (8) a criação de um comando de elite para combater guerrilheiros dissidentes das FARC, rebeldes do ELN e narcotraficantes que, segundo o governo, encontraram refúgio na Venezuela.

O Comando Especializado contra o Tráfico de Drogas e Ameaças Transnacionais será lançado "no dia 26 de fevereiro e entrará em pleno funcionamento no mês de maio e nos permitirá atingir com precisão os narcotraficantes", disse o presidente em entrevista à Rádio Nacional.

Sem especificar o número de soldados que farão parte dessa força de elite, Duque disse que seu "objetivo este ano é acertar os líderes do narcoterrorismo (...) para que sejam capturados ou exonerados".

Entre os "alvos de alto valor", o presidente citou ex-guerrilheiros das FARC que desistiram do acordo de paz de 2016 como Iván Márquez, Jesús Santrich, Hernán Darío Velásquez, conhecido como 'El Paisa', Henry Castellanos, aliás 'Romaña', entre outros.

Também fazem parte da lista membros do Exército de Libertação Nacional (ELN), a última guerrilha ativa reconhecida na Colômbia, e do Clã do Golfo, a maior gangue de traficantes do país.

"É claro que na Venezuela muitos deles estão protegidos porque o Cartel dos Sóis está ao lado de Nicolás Maduro, está realizando operações de narcotráfico", disse Duque.

Segundo a inteligência militar, na Venezuela existem cerca de 1.400 membros de grupos armados colombianos que se deslocam dos dois lados da fronteira de 2.200 quilômetros.

“Não há refúgio aqui, onde quer que estejam os criminosos, a justiça tem que ir”, alertou Duque.

Nesse sentido, acrescentou que ativará um sistema de colaboração e recompensa para "aqueles na Venezuela que também estiverem dispostos a nos fornecer informações que nos permitam capturar efetivamente esses canalhas".

Duque não mencionou ação direta ou secreta em território venezuelano. Em 2008, a Colômbia lançou uma operação que matou um dos líderes da extinta guerrilha marxista em solo equatoriano, o que desencadeou uma grave crise diplomática com Quito.

Márquez, Santrich e vários ex-guerrilheiros se retiraram, em agosto de 2019, do acordo de paz histórico que encerrou mais de meio século de conflito armado com as FARC, para iniciar uma nova rebelião chamada Segunda Marquetalia.

Dissidentes, ELN e gangues de narcotraficantes de origem paramilitar lutam atualmente pelas rotas de exportação de cocaína, mineração ilegal e extorsão na Colômbia, que vive a pior onda de violência desde o desarmamento das FARC.

A Colômbia denunciou insistentemente que a Venezuela abriga rebeldes colombianos, o que Caracas nega.

A Venezuela rompeu relações com a Colômbia em fevereiro de 2019, depois que o presidente Iván Duque reconheceu o opositor Juan Guaidó como presidente interino daquele país.

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