Colômbia denuncia ameaças a seu cônsul no Haiti por assassinato de presidente

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O presidente haitiano Jovenel Moïse em Porto Príncipe, em 3 de janeiro de 2016 (AFP/HECTOR RETAMAL) (HECTOR RETAMAL)

O governo colombiano denunciou nesta terça-feira (11) que seu cônsul no Haiti foi ameaçado quando administrava a defesa de 18 ex-militares colombianos, suspeitos de envolvimento no assassinato do presidente Jovenel Moise.

A vice-presidente e chanceler colombiana, Marta Lucía Ramírez, assegurou que o diplomata Julio Santa "está ameaçado", após várias tentativas frustradas de conseguir advogados para um grupo de 18 mercenários colombianos detidos no Haiti desde julho de 2020 por sua participação no assassinato.

Em encontro com a imprensa internacional, Ramírez apenas fez menção ao caso do cônsul, abstendo-se de dar maiores detalhes.

Santa é o único representante diplomático da Colômbia no Haiti, onde a maioria da população está submetida à violência das gangues.

Após seis meses na prisão, os colombianos ainda não têm representação legal, queixou-se a chanceler.

Ao mesmo tempo, exigiu que tenham respeitado "o devido processo" no marco da investigação sobre o assassinato de Moise, em 7 de julho passado.

O presidente foi atacado em sua residência privada por um comando de homens armados, a maioria colombianos. Ramírez clamou por "uma investigação internacional" sobre o caso.

O governo de Iván Duque denunciou os maus-tratos que as autoridades haitianas deram aos réus, que asseguram terem sido contratados pela empresa CTU Security, sediada em Miami, para capturar e entregar Moise à autoridade antinarcóticos americana.

O assassinato agravou a crise política em um país abalado pela pobreza endêmica.

Com base em investigações nas quais colabora com o FBI, Bogotá suspeita que parte dos mercenários foram enganados e que apenas alguns souberam do plano para matar o presidente.

Embora os homens tenham entrado na residência do presidente sem encontrar resistência da polícia, nas horas que se seguiram ao crime, desatou-se um confronto com as autoridades no qual morreram três dos agressores. Os demais foram capturados.

Segundo Ramírez, os corpos dos mortos se encontram "em péssimo estado" e não foram repatriados.

O também colombiano Mario Antonio Palacios, que participou da operação, conseguiu fugir do Haiti para a Jamaica, onde foi detido em outubro. Posteriormente, foi extraditado aos Estados Unidos, onde responde na justiça pelo assassinato de Moise.

Juntamente com os colombianos, estão detidos em Porto Príncipe vários haitianos e dois americanos vinculados ao crime. No entanto, a investigação sobre o assassinato não parece avançar.

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