Colômbia e guerrilheiros do ELN convidam Brasil, Chile e México como fiadores de conversas de paz

Governo colombiano e guerrilha de esquerda Exército de Libertação Nacional (ELN) retomam negociações de paz

CARACAS (Reuters) - O governo colombiano e a guerrilha de esquerda Exército de Libertação Nacional (ELN) concordaram em convidar Brasil, Chile e México como países fiadores de seu processo de diálogo de paz, que busca pôr fim a quase 60 anos de conflito, disseram as partes envolvidas em um comunicado nesta sexta-feira.

Delegados do presidente colombiano, Gustavo Petro, ex-guerrilheiro que assumiu em agosto como o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, e do ELN retomaram na segunda-feira em Caracas as negociações, que haviam sido suspensas em 2019.

Após uma semana de discussões, as partes divulgaram um comunicado afirmando que trabalharam em um "ambiente de confiança e otimismo" e que concordaram em três pontos, inclusive convidar Brasil, Chile e México a se juntarem a Cuba, Noruega e Venezuela como países fiadores dos diálogos.

Eles também disseram que vão convidar Alemanha, Suécia, Suíça e Espanha para acompanhar o processo, e que farão esforços diplomáticos com o governo dos Estados Unidos para nomear um enviado especial para a mesa.

Em declarações transmitidas pela emissora estatal de televisão venezuelana, Otty Patiño, chefe da delegação do governo colombiano, disse que "um dos temas, sem dúvida, que sempre esteve no ar é a questão do narcotráfico".

“O ELN quer mostrar que é uma organização política” e não vinculada ao narcotráfico, acrescentou Patiño.

O grupo rebelde, ao qual pertenciam padres católicos radicais, é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

O segundo acordo foi retomar um ponto da agenda sobre ações de ajuda humanitária, embora não tenham especificado detalhes. O terceiro e último ponto foi o consenso de ter uma equipe de comunicação para relatar os trabalhos da mesa redonda.

O ELN iniciou uma negociação de paz no Equador em 2017 no governo do ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos que depois se mudou para Cuba, mas seu sucessor, o ex-presidente Iván Duque, não deu continuidade ao processo porque o grupo rebelde não aceitou demandas como a suspensão das hostilidades, o que se somou a um atentado com carro-bomba contra uma academia de polícia em Bogotá que deixou 22 cadetes mortos.

(Reportagem de Vivian Sequera e Deisy Buitrago, em Caracas, e Luis Jaime Acosta, em Bogotá)