Colômbia elimina teste de covid-19 para viajantes e gera críticas

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Um profissional de saúde manipula um tubo no centro de testes de covid-19 do aeroporto El Dorado, em Bogotá, em 24 de setembro de 2020
Um profissional de saúde manipula um tubo no centro de testes de covid-19 do aeroporto El Dorado, em Bogotá, em 24 de setembro de 2020

O governo da Colômbia eliminou a exigência de testes de covid-19 para viajantes que chegam do exterior, o que rendeu uma enxurrada de críticas nesta quinta-feira (5), em meio a uma nova explosão de infecções no mundo.

O Ministério da Saúde decidiu anular a medida que obrigava cidadãos colombianos e estrangeiros a apresentarem um exame PCR negativo antes de entrar no país por via aérea, a única autorizada após o fechamento das fronteiras terrestres. O exame tinha que ser feito até 96 horas antes da viagem.

Em entrevista à W Radio, o vice-ministro da Saúde, Alexander Moscoso, argumentou que o teste não é eficaz para evitar o contágio quando o vírus está circulando localmente.

"Está gerando (...) uma falsa sensação de segurança", disse Moscoso. Segundo ele, quem entra no país com resultado negativo relaxa nas medidas de proteção.

A Colômbia, que no início da crise impôs uma quarentena e depois passou a afrouxar as medidas diante do desastre econômico, optou por retirar a exigência justamente quando a Europa vive uma nova onda de infecções e o continente americano tem uma de suas piores semanas da pandemia.

A decisão do governo colombiano gerou críticas de organizações de saúde e autoridades locais.

"As razões alegadas não são apoiadas por nenhum tipo de análise epidemiológica ou médica. A tripulação, os passageiros, os funcionários do aeroporto e a população em geral estão em risco", disse o Colégio Médico de Bogotá em nota pública.

A prefeita de Bogotá, Claudia López, denunciou no Twitter que esta decisão se soma ao fracasso do governo em "fazer o rastreamento e o cerco epidemiológico de passageiros" de outros países.

Por sua vez, o coordenador na Colômbia de ensaios clínicos da Organização Mundial da Saúde, Carlos Álvarez, destacou que a obrigatoriedade do exame não impede a entrada do vírus.

A Colômbia é o quinto país da região com mais mortes (32.013) e o terceiro em número de infecções (1.108.084).

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