Colapso da FTX aumenta negociações de criptomoedas em redes descentralizadas

Por Medha Singh e Lisa Pauline Mattackal

BENGALURU, Índia (Reuters) - Enquanto o castelo das criptomoedas desmorona, alguns apoiadores da tecnologia afirmam que a resposta é redobrar apostas em "DEX", sigla usada para descrever redes de finanças descentralizadas.

O colapso espetacular da FTX, uma importante corretora de criptomoedas centralizada, desencadeou uma onda de pedidos de bancos e investidores por mais regulamentação sobre o setor.

Por outro lado, alguns grupos estão canalizando a visão original do criador do bitcoin, Satoshi Nakamoto, que exclui da equação o intermediário financeiro em favor de corretoras descentralizadas, em que os investidores negociam ponto a ponto no blockchain.

Em 10 de novembro, quando a FTX implodiu, o volume diário geral de negociações em redes descentralizadas, incluindo Uniswap, saltou para 12 bilhões de dólares, o nível mais alto desde maio, de acordo com dados do rastreador de mercado de finanças descentralizadas (DeFi) Llama, embora tenham reduzido os ganhos desde então.

Quatro dias depois, os volumes de novembro ultrapassaram todo o mês anterior, de acordo com o CryptoCompare. Enquanto isso, os fluxos semanais de bitcoin em plataformas centralizadas, ou CEXs, registraram a maior saída líquida de recursos de todos os tempos, com 97.805 moedas retiradas nos sete dias até 13 de novembro, mostram os dados do CryptoCompare.

“Agora está claro que pode haver risco associado à manutenção de ativos em uma entidade centralizada”, disse Varun Kumar, presidente-executivo da corretora de criptomoedas descentralizada Hashflow. "Os dados mostram que os usuários estão se voltando para soluções de negociação descentralizadas."

No entanto, DEXs não são necessariamente mais seguras do que suas rivais centralizadas, com investidores inexperientes potencialmente expostos a enormes riscos.

Os usuários trocam tokens diretamente entre si usando contratos inteligentes baseados em blockchain em vez de transferirem os fundos por um intermediário ou autoridade central.

Assim, como em outras redes DeFi ou Web3, não há supervisão central e - para o bem ou para o mal - os investidores são responsáveis ​​por seus negócios, liquidações e custódia de moedas ou tokens.

Em comparação, as CEXs, como Coinbase, Binance e FTX, são mais parecidas com as corretoras tradicionais de Wall Street, atuando como intermediárias nas transações, tornando a negociação mais amigável, especialmente para novos investidores, e às vezes oferecendo serviços de custódia de moedas.

ESQUEMA DA FTX

Os defensores da descentralização dizem que as DEXs podem oferecer aos investidores alguma proteção contra o tipo de esquema que parece ter ocorrido na FTX, onde até 1 bilhão de dólares em fundos de clientes foram relatados como desaparecidos.

As DEXs não podem interromper saques, exigem que os usuários mantenham a custódia de seus fundos e as atividades de negociação e reservas podem ser rastreadas diretamente na blockchain.

“Definitivamente, existem elementos de DEXs atraentes para as pessoas, pois reduzem as chances de algum operador nefasto ou um único ponto de falha no sistema”, disse David Wells, presidente-executivo da corretora Enclave Markets, que oferece serviços financeiros centralizados e descentralizados.

Os volumes na maior DEX, Uniswap, subiram para 17,2 bilhões de dólares na semana de 6 a 13 de novembro, de pouco mais de 6 bilhões na semana anterior, enquanto outras corretoras descentralizadas menores também relataram volumes mais altos.

A GMX viu mais de 6 bilhões de dólares na semana após 6 de novembro, quando os problemas da FTX vieram à tona, três vezes mais que suas médias semanais. A Hashflow viu 110 milhões de dólares em 9 de novembro, dia em que a Binance desistiu de um plano para resgatar a FTX, contra uma média diária de 25 milhões de dólares.

Apesar do aumento recente, as criptomoedas não estão migrando em massa para DeFi, e os volumes diários de DEX caíram perto dos níveis de outubro, abaixo de 3 bilhões de dólares.

No entanto, houve uma mudança mais ampla e sutil para corretoras descentralizadas, com dados da Chainalysis mostrando que os volumes mensais gerais de negociação em DEXs ficaram entre 181,5 bilhões e 240,3 bilhões de dólares de agosto a outubro, em comparação com uma faixa de 173 bilhões a 203,5 bilhões de dólares para CEXs.

Embora alguns investidores prefiram a transparência dos ambientes descentralizados, as plataformas não são adequadas para investidores como instituições financeiras tradicionais e firmas comerciais especializadas, disse Wells, da Enclave Markets.

Por exemplo, as DEXs normalmente têm velocidades de transação mais lentas e os fundos de hedge podem não querer que suas estratégias de negociação sejam rastreáveis ​​publicamente na blockchain.

Muitas instituições financeiras tradicionais também são legalmente obrigadas a manter fundos com um custodiante externo e não seriam capazes de "autocustódia" dos ativos dos investidores para negociá-los em redes descentralizadas.

Muitos participantes do mercado veem as corretoras centralizadas e descentralizadas coexistindo.

“A interconexão é crítica”, disse Chris Kline, cofundador da Bitcoin IRA, que oferece contas de aposentadoria de criptomoedas, referindo-se a DEXs e CEXs crescendo juntas à medida que os negócios com criptomoedas se expande. "Ambas existirão no futuro."