Colapso da plataforma de criptomoedas FTX é examinado por investigadores das Bahamas

Logo da FTX

SÃO PAULO (Reuters) - O colapso da bolsa de criptomoedas FTX está sob a análise de investigadores nas Bahamas, que estão checando se alguma "conduta criminosa ocorreu", disse a Polícia Real das Bahamas neste domingo.

A FTX entrou com pedido de falência na sexta-feira, uma das maiores explosões das grandes de cripto, após operadores correrem para sacar 6 bilhões de dólares da plataforma em apenas 72 horas e a bolsa rival Binance abandonar um acordo proposto de resgate.

Em um comunicado neste domingo, a Polícia Real das Bahamas disse: "À luz do colapso da FTX globalmente e da liquidação provisória da FTX Digital Markets Ltd., uma equipe de investigadores financeiros do Financial Crimes Investigation Branch está trabalhando em estreita colaboração com a Bahamas Securities Commission para investigar se ocorreu qualquer má conduta criminal".

A FTX não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.

O recém-nomeado presidente-executivo da FTX, John J. Ray III, disse no sábado que a empresa está trabalhando com autoridades e reguladores para mitigar o problema e está fazendo "todos os esforços para proteger todos os ativos, onde quer que estejam".

A dramática queda da plataforma fez com que seu fundador Sam Bankman-Fried, de 30 anos, conhecido por seu vestuário composto por shorts e camisetas, fosse de garoto-propaganda dos sucessos das criptomoedas para protagonista da maior quebra do setor.

Bankman-Fried, que mora nas Bahamas, também foi alvo de especulações sobre seu paradeiro e ele negou rumores no Twitter de que teria ido para a América do Sul.

Quando perguntado pela Reuters no sábado se ele havia voado para a Argentina, ele respondeu em uma mensagem de texto: "Não".

Ele disse à Reuters que estava nas Bahamas.

A crise na FTX fez com que pelo menos 1 bilhão de dólares em fundos de clientes desaparecessem da plataforma, disseram fontes à Reuters na sexta-feira.

Bankman-Fried transferiu 10 bilhões de dólares em fundos de clientes para sua companhia de trading, a Alameda Research, de acordo com as fontes.

Novos problemas surgiram no sábado, quando o conselheiro geral da FTX nos EUA, Ryne Miller, disse em uma publicação no Twitter que os ativos digitais da empresa estavam sendo movidos para o chamado armazenamento frio "para mitigar os danos depois de observar transações não autorizadas".

O armazenamento frio diz respeito a carteiras de criptografia que não estão conectadas à Internet para se proteger contra hackers.

A empresa de análise de blockchain Nansen disse no sábado que observou saídas de 659 milhões de dólares da FTX International e FTX U.S. nas últimas 24 horas.