Coletivo Okupa Coragem estende a mão à comunidade durante a pandemia

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por Elisa Fontes

Em março de 2020, a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil e pegou de surpresa milhares de pessoas que convivem e tiram o seu sustento da cultura e da arte. 

Eventos, espaços culturais e artistas que dependem da presença do público ou de um financiamento coletivo precisaram se adaptar a uma nova realidade. 

Nas periferias, esse desafio foi ainda maior, como retrata a nova série da Ponte, Cultura de Periferia em Tempos de Pandemia, em parceria com a Todos Negros do Mundo, mídia e produtora de conteúdo afrocentrada. Todos os dez episódios serão publicados no canal do Youtube da Ponte e são apresentados pela ativista Stephanie Catarino.

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O coletivo Okupa Coragem, tema do episódio de estreia da série dirigida por Anderson Jesus, encontrou meios de resistir com a cultura periférica de forma gratuita e acessível a todos. 

Criado inicialmente como um grupo de reggae na Cohab 2 em Itaquera, zona leste de São Paulo, o coletivo está há mais de dez anos formando novos produtores culturais e artistas periféricos. O público ocupou o espaço dos comércios fechados e abandonados em volta da Praça Brasil, ponto de referência do encontro.

O lugar foi revitalizado pelo Okupa Coragem, grupo que se formou por meio do grafite, da educação e da música, e recebeu a primeira Mostra de Arte Urbana de Itaquera. Michele, uma das integrantes do Coragem, conta no episódio que hoje a ocupação sofre com um processo de reintegração de posse na Justiça. Apesar disso, nos últimos anos o espaço se tornou símbolo de resistência e recebeu saraus, intervenções artísticas e debates sobre questões sociais e políticas.

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Segundo Michele, o coletivo tem se sustentado com a ajuda de entidades, editais e programas de inventivo à cultura. Durante a pandemia, o espaço ficou fechado mas o Coragem não parou. 

“Todo mundo se viu perdido porque era o nosso trabalho. A gente não teve muito tempo, pois já entramos na questão social de distribuição de cesta básica. Voltamos a movimentar aquele espaço com doações de alimentos e começaram a chegar pessoas que não acessariam a ocupação se não fosse essa situação e a gente apresenta, fala dos projetos.”

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Michele também cita a falta de apoio do governo aos artistas periféricos neste período e como o longo período da pandemia tem tornando cada dia uma batalha para quem enfrenta o desemprego e a fome. 

Manda o recado: “Divulguem os artistas periféricos pois está bem difícil e se não fizermos por nós, não temos como esperar dos nossos governantes”.

Cultura de Periferia em Tempos de Pandemia

  • Série original – Ponte Jornalismo e TNM – Todos Negros do Mundo

  • Diretor – Anderson Jesus

  • Coordenação Geral de Projeto – Antonio Junião

  • Administração – Maria Elisa Muntaner

  • Editor – Fausto Salvadori

  • Diretor de Fotografia – Daniel Junior

  • Direção de arte – Nídia Gabrielle

  • Assistente de arte – Nádia Letícia

  • Produção – Priscila Fernandes

  • Assistente de produção – Vinicius Gonçalves

  • Transmissão – Daniel Junior

  • Assistente de transmissão – Priscila Fernandes

  • Elétrica – Geraldo Justino

  • Figurino –Janaina Souza

  • Montagem e Finalização – Nídia Gabrielle

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