Coletivo queima obra original de Picasso para fazer leilão em NFT

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RIO — Queimar uma obra de Pablo Picasso poderia ser algo impensável para muitos amantes da arte, mas um coletivo de entusiastas anônimos se uniu a uma comunidade virtual para promover extamente isso. Uma peça do pintor espanhol foi colocoada propositalmente em chamas para seguir os passos de um projeto intitulado The Burned Picasso (o Picasso queimado). O objetivo dos responsáveis pela inusitada ação é tornar o quadro "imutável no blockchain" pela eternidade.

Por meio do blockchain (uma espécie de banco de dados virtual em que não pode alterar as transações ali registradas) o projeto, idealizado pela Fractal Studios, visa a leiloar a obra queimada em NFT (sigla para non-fungible token, ou seja, token não fungível, que representa uma chave criptografada que garante a autenticidade de um arquivo único). A venda é efetuada por meio do Unique One Art Marketplace e inclui a peça destruída.

Antes de queimar o "Fumeur V", de 1964, e iniciar o leilão, porém, os donos do quadro colocaram-no em exibição numa galeria de arte em Denver, nos Estados Unidos, talvez para permitir que outros admiradores se despedissem dele. No entanto, mesmo após incendiar o material, os traços do desenho continuaram visíveis em boa parte, assim como a assinatura do célebre artista. Os organizadores do projeto disseram ainda que vislumbraram um formato de coração próximo ao nome de Picasso. Assim, eles decidiram incluir a versão queimada no leião com um NFT adicional. Lances podem ser dados no site do Unique One até o final do mês.

Antes da realização do Burned Picasso, só a ideia do projeto já havia gerado críticas. Algumas delas foram replicadas pelo próprio coletivo antes de suas justificativas.

"O que? Vocês estão queimando um Picasso?", questiona uma pessoa.

"Que ideia estúpida é essa, isso deveria ser punível por lei", afirma outra.

Os idealizadores então publicaram um texto em que se defendem e explicam suas razões para o projeto ser visto como algo positivo. O comunicado diz, por exemplo, que o fato de escolhorem queimar a obra não teve pretenção de promover censura à arte.

"'Queimar' e 'censura' estão meramente correlacionados ali. Queimar não é necessariamente censurar", afirma a nota. "Pedimos que você deixe de lado essa relação como uma ambiguidade semântica para entender um tipo diferente de fenômeno que ocorre no espaço do blockchain, onde queimar pode significar mais do que destruição — pode significar destruição criativa".

Para o coletivo, o foco da iniciativa não está na "destruição" da obra, mas, sim, na transição de um formato a outro.

"Na verdade, é uma coincidência que o ato físico de 'queimar' também esteja relacionado à 'censura'. Da perspectiva do blockchain, queimar é o que fazemos para transformar o valor de um lado para o outro", acrescenta o texto.

"Com o Burned Picasso, a Fractal Studios está dando um passo adiante ao reconhecer a realidade como uma rede. Ao queimar o Picasso e cunhar seu NFT correspondente, o NFT se torna a reserva de valor e a proveniência da obra de arte original passa para a Web3.0. Assim, embora possa significar coisas diferentes para pessoas diferentes, da perspectiva do Fractal Studios e da Unique One Network, a destruição do Picasso é necessária para unir seu valor e proveniência a outra versão. A esse respeito, mover aspectos de nossa vida do mundo in-world para a Web 3.0 não os destrói, mas os transforma. E para os entusiastas que acreditam na supremacia inevitável da Web 3.0 e da interoperabilidade do blockchain, ele os preserva para as gerações futuras".

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