Coletivos de judeus repudiam presença de Claudio Lottenberg em jantar com Bolsonaro

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Claudio Lottenberg é presidente da Confederação Israelita do Brasil e do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (Foto: Reprodução)
Claudio Lottenberg é presidente da Confederação Israelita do Brasil e do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (Foto: Reprodução)
  • Claudio Lottenberg esteve no jantar com o presidente Jair Bolsonaro na última quarta-feira

  • Lottenberg é presidente da Confederação Israelite do Brasil, órgão que representa a comunidade judaica brasileira

  • Coletivos judaicos criticaram presença de Lottenberg no encontro

Entre os presentes no jantar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com empresários, estava Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

A Conib se considera como “o órgão de representação e coordenação política da comunidade judaica brasileira” e se diz uma entidade apartidária. No entanto, a presença de Claudio Lottenberg no evento com Bolsonaro desagradou setores da comunidade judaica.

Os coletivos Judeus pela Democracia de São Paulo e o Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil “Henry Sobel” divulgaram uma carta aberta em que repudiam a decisão de Lottenberg de ir ao evento. O documento coloca que houve uma possível confusão entre o papel de Claudio Lottenberg entre as agendas pessoal e institucional.

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“É com indignação que tomamos conhecimento da participação do presidente da CONIB Sr. Claudio Lottenberg, no jantar promovido pelo presidente da República Jair Bolsonaro em São Paulo, no dia 7 de abril de 2021. Aquele não se tratava de um encontro protocolar entre o presidente da República e o presidente da CONIB, mas de uma reunião com empresários com o objetivo de reconstruir a base de apoio político ao governo, abalada desde que foi divulgado o posicionamento conjunto de diversos empresários em repúdio à maneira como o governo federal tem lidado com a pandemia. Dessa forma, a presença no evento indica possível confusão entre as agendas institucional e pessoal de Lottenberg”, dizem os coletivos.

Os signatários ainda consideram que a participação no encontro entre Bolsonaro e empresário não “condiz com o cargo de representante político de uma comunidade que se orgulha de ser plural, nem com uma entidade que se propõe, entre outros objetivos, a combater a intolerância”.

A reunião aconteceu no mesmo dia do Iom Hashoá, data do calendário judaico que lembra a morte de 6 milhões de judeus no Holocausto, na Alemanha nazista. Os coletivos classificam o encontro de datas como uma “infeliz coincidência”.

Apesar do estigma de que “judeus apoiam Bolsonaro”, os grupos lembram que desde a campanha eleitoral, diversos grupos da comunidade judaica se opõem ao presidente da República. “As ideias, falas e ações do presidente o colocam à margem do campo democrático brasileiro, pois partem sempre da violência, da intolerância, do repúdio à diversidade e da negação à ciência”, diz a carta.

A pandemia do coronavírus também citada como motivo para indignação com a participação de Lottenberg, que é médico, no evento. 

“O presidente já demonstrou em inúmeras situações a indisposição de mudar de comportamento. Não há cooperação possível com Jair Bolsonaro. Há apenas a cooptação. A presença do presidente da CONIB visa dar legitimidade à ideia de um apoio de judeus a um projeto político que vai contra os mais altos valores humanistas e democráticos, legados a nós pela tradição e história do povo judeu. Por isso, repudiamos a atitude irresponsável do Sr. Claudio Lottenberg.”

O que dizem Claudio Lottenberg e a Conib

Consultada antes da divulgação da carta aberta, a Conib disse que não se pronunciaria sobre a presença do presidente no encontro com Bolsonaro.

No entanto, na noite de quarta-feira (7), Lottenberg falou à CNN Brasil. Ele afirmou que o encontro buscou não politizar as medidas contra a covid-19. “Tratamos das preocupações com as questões sanitárias e econômicas. Precisamos nos unir num sentimento pró-Brasil, sem polarizar. É um momento de colaborarmos com um único Brasil”, disse Claudio Lottenberg.

Sobre a carta aberta, a Conib não se pronunciou até a publicação dessa reportagem.

Ofensas contra João Doria 

The Governor of Sao Paulo, João Doria (PSDB), during the inauguration of the Defense Police Station and the Women's Reference Center in Franca, Sao Paulo, Brazil, on 26 November 2019. (Photo by Igor Do Vale/NurPhoto via Getty Images)
Governador de São Paulo, João Doria, foi alvo de ataques no encontro entre Bolsonaro e empresários (Foto: Igor Do Vale/NurPhoto via Getty Images)

Durante a reunião com empresários na noite da última quarta-feira (7), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) xingou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). A informação foi revelada pela jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Em São Paulo, na casa do fundador da Gocil, Washington Cinel, Bolsonaro teria dito: “O governador de vocês é um vagabundo, caralho”. O relato foi feito por pessoas que estavam no evento.

Outras pessoas presentes disseram que, segundo Bolsonaro, Doria é um destruidor de vidas e que está acabando com os empregos ao manter o comércio e os restaurantes fechados no estado de São Paulo.

No jantar, estavam presentes supostos aliados e figuras próximas de Doria. Alguns deles estariam decepcionados com o governador por ter adotado medidas restritivas de combate à covid-19.

Pelo menos 20 empresários estavam no encontro. Entre eles, estavam Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, André Esteves, do BTG, Alberto Saraiva, do Habib’s e Claudio Lotterberg, da Confederação Israelita do Brasil e do Hospital Albert Einstein.

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