Colômbia autoriza eutanásia de mulher sem doença terminal

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Martha Liria Sepúlveda, colombiana que decidiu pela eutanásia
Martha Liria Sepúlveda, colombiana que decidiu pela eutanásia (foto: Reprodução)
  • A Colômbia autorizou a morte de Martha Liria Sepúlveda, mulher com esclerose lateral amiotrófica

  • Ela é a primeira pessoa sem estado terminal a ter o procedimento liberado no país

  • A eutanásia, ou morte assistida, é legalizada na Colômbia desde 1997

A Colômbia autorizou a morte de Martha Liria Sepúlveda, mulher de 51 anos com esclerose lateral amiotrófica (ELA). A eutanásia está marcada para este domingo (10), às 7h (hora local, 9h em Brasília). Ela é a primeira pessoa sem estado terminal a ter o procedimento liberado no país.

A Colômbia, primeiro país na América do Sul a autorizar a eutanásia, legalizou a morte assistida desde 1997. A prática, porém, valia apenas para pacientes que tivessem doenças terminais como uma forma de abreviar o sofrimento da pessoa em situação já irreversível, se assim fosse a decisão dela.

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Em entrevista à TV Caracol, da Colômbia, ela relatou sentir dores e ter perdido o movimento das pernas, o que a atrapalha na vida cotidiana. Em julho de 2021, a Corte Constitucional aprovou a extensão do acesso à eutanásia para pessoas que não estejam em estado terminal.

Pouco depois da decisão da Corte, Martha conseguiu a autorização. Primeiro, gostaria que a eutanásia fosse aplicada em 31 de outubro, mas preferiu antecipar para 10 de outubro, na hora em que costumava ir à missa.

"Sou uma pessoa católica, me considero alguém que crê muito em Deus, mas, repito, Deus não quer me ver sofrer e acredito que não quer ver ninguém sofrer. Nenhum pai quer ver seus filhos sofrerem", disse ela em entrevista à emissora colombiana.

Por ser católica, a decisão de Martha encontra muita resistência dentro da Igreja. O bispo Francisco Ceballos tentou convencê-la a desistir da eutanásia e defendeu que "a morte não pode ser a resposta terapêutica à dor e ao sofrimento em nenhum caso".

"Quero dizer à minha irmã Martha que ela não está sozinha e que o Deus da vida sempre nos acompanha, e que sua tribulação pode encontrar um sentido transcendental, uma chamada ao amor que se renova", pediu o bispo, em vídeo divulgado nas redes.

"A resposta [que dou a eles] é a mesma: faço isso porque estou sofrendo e porque creio em um Deus que não quer me ver assim. Para mim, Deus está me permitindo isso, então se gosta de mim, não gosta de me ver nesta situação", justifica Martha.

O filho dela, Federico, de 22 anos, reconhece que gostaria de ter a mãe por mais tempo, mas afirma que aceitar a decisão da eutanásia é o "maior ato de amor" que já fez: "Em princípio preciso da mamãe, quero ela comigo, quase em qualquer condição. Mas sei que em suas palavras ela já não vive mais, apenas sobrevive".

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