Coluna: Novidades e Tendências da CES 2012

Flávio Amaral

O evento de tecnologia CES (Consumer Electronic Show) em Las Vegas, EUA, é a vitrine do que as empresas estão trabalhando e planejando lançar em um futuro próximo. Elas se digladiam para chamar a atenção para que seus lançamentos virem notícia e deixem consumidores ansiosos para comprá-los. Neste ano, não foram os tablets, TVs inteligentes, Smartphones ou outros produtos que chamaram mais a atenção, mas a despedida da Microsoft como expositora e o que isso significa.

Microsoft e o (seu) futuro
A Microsot se despediu do evento falando do seu Windows 8, que virá em breve. Para muitos, foi um claro sinal da perda de capacidade de inovação da gigante de software que está perdendo relevância nos setores que mais crescem: tablets e smartphones. O Windows ainda é o sistema operacional mais usado, mas essa hegemonia pode estar com os dias contados em um mundo onde Tablets serão a maioria dos dispositivos e, muito provavelmente, irá rodar ou o iOS da Apple ou o Android do Google. 

E tudo aponta para isso. Os PCs, onde o Windows possui sua maior margem, estão com as vendas em declínio (2011 foi o pior ano de vendas da década) e a Apple está prevendo vender 65 milhões de iPads em 2012, ficando apenas 30 milhões abaixo de todas as vendas de PCs em 2011 de todos os fabricantes juntos. Somando-se a fatia de mercado do Android, vai sobrar pouco para a Microsoft explorar.

Hoje, vende-se mais smartphones que PCs e quem dominar esse mercado dominará também o de computação em nuvem que permitirá os usuários moverem seus dados dos celulares para os tablets e para outros dispositivos.

E para piorar as coisas, já é possível rodar o Windows como uma app no iPad. Ou seja, você pode ter um desktop completo windows no seu iPad. E sabe quanto isso pode lhe custar? Nada se você contratar os serviços de computação em nuvem da Amazon, o AWS. Ou seja, se algum dia você precisar de um Windows, você poderá alugar um máquina virtual na nuvem.

Smartphones
A grande novidade da feira neste campo foram os celulares com processadores Quad core e android 4, como o Huawei Ascend P1 S.

Para quem se pergunta se isso é necessário, não é possível ter telas de altas resoluções, comandos de voz e geoprocessamento rápidos sem essa tecnologia.

Novas TVs
As novidades para as TVs foram a implementação da tecnologia OLED, que deixa a tela mais fina e com mais contraste,  as resoluções mais altas  que permitem telas maiores como 84 polegadas e a tecnologia 3D sem os óculos, conhecida com autoestereoscópica. As smart TVs com internet não são mais novidade, o que irá deixá-las mais atraentes são as aplicações (apps) que irão agregar valor e inteligência a esse ecossistema. Quando os fabricantes colocarem o Android e outras plataformas de desenvolvimento e distribuição de apps a experiência de ver TV vai ser melhor.

Tablets
Embora ausente da feira, o iPad tem a maior fatia de mercado. Mas os concorrentes como o Tablet Galaxy Tab 7.7 da Samsung compatível com redes 4G LTE e Droid XYBoard 8.2 da Motorola estão aí para roubar mercado. Os tablets estão diminuindo o mercado dos PCs e Laptops, pois com alguns acessórios como um teclado acoplado, podemos transformá-los em um laptop para as funções de um usuário comum (acessar a internet, ouvir músicas, digitar textos etc.). E se precisar executar algo mais pesado, pode-se optar pela virtualização de um desktop como descrito acima.

Durante a feira, foi mostrada a tecnologia de virtualização de desktops em tablets usando o Asus Transformer Prime equipado com um processador quad-core Nvidia Tegra 3 e excelentes capacidades gráficas. Nesta página, há um video do jogo Shadowrun nesse tablet.

Laptops

Com os tablets roubando mercado, a tendência agora é o ultrabook, um laptop mais fino e leve como o MacBook Air. Além disso, não há muitas novidades aqui.

Internet das Coisas
Modelos  de geladeiras com conexão à internet para avisar o que está faltando integrados com lojas on-line para fazer compras e apresentação de receitas com os ingredientes presentes chamaram a atenção. Assim como eletrodomésticos controlados pelos smartphones e equipamentos para carros com previsão do tempo, comandos de voz e mapas.

O que pega?
Nem tudo que foi exposto vira sucesso. Em um mundo voltado cada vez mais para o conteúdo, ter uma TV 3D sem conteúdo para ela de nada adianta. Para que isso pegue, por exemplo, é necessário que além dos estúdios fazerem filmes em 3D, as simples máquinas fotográficas digitais e smartphones capturem nesse formato também. Mas tirando isso, acredito que neste ano veremos mais e mais vendas de tablets e smartphones e que eles irão controlar tudo ao nosso redor.