Colunistas do GLOBO analisam derrota da Argentina em estreia pela Copa do Mundo

A primeira zebra da Copa do Mundo do Catar se apresentou na manhã desta terça-feira, quando a Arábia Saudita surpreendeu e virou o jogo contra a Argentina. Isso se deu após um primeiro tempo em que Lionel Messi abriu o placar, de pênalti, e os albicelestes não pararam de pressionar, chegando a balançar a rede outras vezes, com o próprio camisa 10 e Lautaro Martínez, todos impedidos. Na segunda etapa, o cenário mudou e em cinco minutos a Arábia Saudita virou o placar (com gols de Saleh e de Salem Al-Dawsari) contra os bicampeões mundiais, que não conseguiram reagir.

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Depois do apito final, os colunistas do GLOBO analisaram os fatores que permitiram os sauditas jogar um banho de água fria na estreia argentina.

— Méritos dos sauditas: ousadia, aplicação tática, uma determinação incrível. Deméritos da Argentina: preparo físico muito abaixo do esperado para o início de uma Copa, falta de liderança e alguma soberba depois do primeiro gol — destacou Marcelo Barreto, apontando que os argentinos tiveram culpa na derrota por 2 a 1.

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Paulo César Vasconcelos cita que a Argentina não conseguiu se conectar com o jogo após ficar em desvantagem no marcador:

— A partir da virada saudita, a Argentina não conseguiu se reconectar com o jogo. A perplexidade provocada pela inversão no placar, somada a uma incessante marcação e fidelidade ao que foi proposto por Hervé Renard muito bem realizada pelos árabes, a Argentina sucumbiu — comentou PC, que destacou o trabalho do treinador. — Hervè Renard, técnico da Arábia Saudita, na última Copa era o treinador de Marrocos, que fez jogo duro com Portugal (perdeu de 1 a 0) e empatou com a Espanha. Tem título africano por Zâmbia e faz os jogadores acreditarem no que propõe.

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Fora de campo, até os torcedores sauditas marcaram o impacto do resultado, com contraste entre os vencedores e os argentinos derrotados.

— Arábia Saudita acaba de superar País de Gales como torcida mais legal de ver em ação nos estádios da Copa do Mundo. Conseguiram transformar um estádio enorme, colossal, para 80 mil pessoas, num caldeirão verde e branco. Os argentinos estão calados, atônitos. Não é algo que acontece todos os dias: a Argentina perde no campo e na arquibancada — exalta Martín Fernandez.

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Sauditas construíram placar

Ainda no primeiro tempo, a Argentina teve 7 lances de impedimentos, alguns deles chegando a balançar as redes, com Messi e Lautaro Martínez. Mas o posicionamento tático da Arábia Saudita impedia que os hermanos ampliassem o placar, trabalho valorizado por Carlos Eduardo Mansur.

— Poucas seleções treinaram e jogaram tanto quanto a Arábia Saudita nos meses pré-Copa, já que todos os jogadores atuam na liga local. O resultado é o plano ousado que estamos vendo em campo — afirmou Mansur, antes mesmo dos gols da Arábia saírem em campo. Após a virada, o colunista ainda afirmou que o elenco argentino tinha qualidade suficiente para virar o placar, se não fosse a maneira como a Arábia Saudita se portava em campo.

— É impressionante como a proposta saudita descaracterizou o jogo argentino — observou Mansur.

Com a Arábia Saudita se impondo em campo e conseguindo a virada sobre a Argentina num intervalo de cinco minutos, Marcelo Barreto definiu o momento como o mais impressionante da Copa do Mundo:

— Já temos os 15 minutos mais impressionantes da Copa do Mundo. A Arábia Saudita terminou o primeiro tempo escapando por poucos centímetros de uma goleada. E agora impõe a Messi um desafio psicológico logo na partida de estreia. Essa última meia hora de jogo promete — analisou Barreto.

A Argentina não conseguiu reagir e o placar se manteve. Após o 2 a 1 para a Arábia Saudita, a Argentina volta ao Estádio Lusail no próximo sábado, dia 26, para enfrentar o México pelo Grupo C. Com três pontos na bagagem, a Arábia Saudita enfrenta a Polônia no Education City, no mesmo sábado.