De comédia com Dani Winits a musical sobre Beatles, dez peças de teatro para ver na internet

Gustavo Cunha
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A programação de teatro on-line ganha fôlego neste fim de semana, com estreias e reestreias de espetáculos contemplados com recursos da Lei Aldir Blanc. Abaixo, veja uma seleção de montagens novas, entre comédias, musicais e dramas, a maior parte delas com ingressos gratuitos.

'Van Gogh'

Em 1993, Elias Adreato estreou, sob direção de Marcia Abujamra, “Van Gogh”, no qual interpreta o pintor holandês e refaz parte do percurso que levou o artista ao suicídio. Sucesso de público, ficou mais de 15 anos em cartaz. Hoje, 17 anos após a última apresentação, o monólogo volta a ser encenado, on-line, com transmissões gratuitas por meio do Zoom. Sáb e dom, às 19h. Até 4 de abril.

'Parabéns, senhor presidente'

Danielle Winits interpreta Marilyn Monroe na comédia biográfica “Parabéns, senhor presidente”, que reestreou, apenas on-line, na sexta-feira. O espetáculo dirigido por Fernando Philbert recompõe o encontro entre Monroe e a cantora Maria Callas (interpretada por Christine Fernandes) durante a celebração dos 45 anos do então presidente americano John F. Kennedy. Sobressaem na conversa de ambas temas corriqueiros e atemporais, como o amor, a rotina de trabalho e o papel da mulher num universo predominantemente masculino. Qui a dom, às 20h. Gratuito, com transmissão por meio do Sympla. Até 28 de março. Não haverá sessão no dia 27 de março. Excepcionalmente, no dia 28, há duas sessões: às 18h e às 21h30.

'Ana C.'

A obra da poeta Ana Cristina Cesar (1952-1983), expoente da literatura marginal, inspira o monólogo “Ana C.”, que est reou — apenas virtualmente — ontem. Com texto e atuação de Laura Nielsen, que também assina a direção ao lado de Thaís Grechi, a montagem se debruça sobre poemas em tom confessional, grande parte deles com um olhar irônico acerca do mundo, e propõe um paralelo com situações vividas pela atriz em sua casa. Sáb e dom, às 19h e às 21h. A peça é transmitida gratuitamente por meio de um link disponibilizado, 30 minutos antes de cada sessão, no Facebook (anacteatro/). Até 28 de março.

'Cartas a uma jovem poeta'

O ator Roberto França resgata uma história curiosa vivida por sua mãe — a poeta Zuleika Castro Moreira —, no espetáculo “Cartas a uma jovem poeta”, em cartaz desde anteontem. Entre 1949 e 1952, Zuleika trocou uma série de correspondências com Carlos Drummond de Andrade, o que fomentou uma sólida amizade entre eles, apesar de terem se encontrado pessoalmente só uma vez. Parte desses textos inéditos é levado à cena, pela primeira vez, no solo com dramaturgia e direção de Marcos França. Sex e sáb, às 21h. Dom, às 18h. A partir de R$ 10, por meio do Sympla. Até 11 de abril.

'A melhor versão'

Armando Babaioff (em primeiro plano, na foto), Michel Blois e Ana Paula Secco estão no elenco de “A melhor versão”, espetáculo com texto inédito de Julia Spadaccini, e que estreou neste fim de semana. Escrita durante a pandemia, a dramaturgia se inspira no universo ficcional de Nelson Rodrigues para retratar, ao longo de 50 anos, o dia a dia de uma família carioca movida pela opressão da moral, dos “bons costumes” e da religião. A montagem, com direção de Daniel Herz e Luis Felipe Sá, foi gravada recentemente numa das salas de teatro da Cidade das Artes. O registro pode ser acessado gratuitamente por meio do Sympla. Até 30 de maio.

'Beatles num céu de diamantes'

Premiado musical de Charles Möeller e Claudio Botelho, “Beatles num céu de diamantes” ganha versão inédita para a internet, apenas até hoje, às 18h, com transmissão ao vivo do Teatro Cesgranrio. No palco, oito atores-cantores encenam mais de 50 canções dos Beatles, como “Yesterday”, “Hey Jude”, “Let it Be”, “Help” e “Come Together”.R$ 20, por meio do Sympla.

'Revolução na América do Sul'

Uma das peças mais importantes do dramaturgo Augusto Boal (1931-2009), criador do Teatro do Oprimido, “Revolução na América do Sul” ganhou nova montagem, com direção de Wellington Fagner, 60 anos após sua estreia. A história segue os passos de José da Silva, operário em busca de solução para a fome que o devora, em narrativa épica sobre injustiças do país. Qui a seg, às 18h e 21h. A partir de R$ 20, no Sympla. Até 29 de março.

'Eu, Moby Dick'

O elogiado“Eu, Moby Dick”, que estreou no Rio em 2019, tem apresentações na internet desde a última sexta-feira. Versão cênica para o romance de Herman Melville (1819-1891)— com dramaturgia escrita por Pedro Kosovski —, a peça expõe os medos, anseios e reflexões de baleeiros que perseguem um cachalote branco. O elenco é formado por Gabriel Salabert, Kelzy Ecard, Márcio Vito e Noemia Oliveira, que são dirigidos por Renato Rocha. Sex a dom, às 20h. Gratuito, por meio do YouTube (/centrodeartesuffoficial). Até 4 de abril. Entre os dias 26 e 28 de março, a peça será transmitida às 18h.

'Quando a gente ama'

Sucessos do sambista Arlindo Cruz inspiram e dão ritmo ao musical “Quando a gente ama”, que ganhou temporada on-line. Interpretado por oito atores — entre eles Cris Vianna (na foto), David Junior e Vilma Melo —, o espetáculo, que tem texto e direção de João Batista, apresenta dez histórias curtas sobre relacionamentos amorosos, todas associadas a canções do sambista, como “Casal sem vergonha”, “O show tem que continuar” e “O que é o amor”. Sáb e dom, às 20h. Gratuito, com transmissão via YouTube (/palavraz). Até 4 de agosto. Até 28 de março.

'Blackbird'

Bruce Gomlevsky dirige os atores Viviani Rayes, Yashar Zambuzzi e Giovanna Marini em “Blackbird”, obra de David Harrower premiada no Festival Internacional de Edimburgo. Adaptada para o cinema em 2016 — no filme “Una”, do cineasta Benedict Andrews —, a história se inspira num caso real de pedofilia para acompanhar o reencontro de um homem e uma mulher que mantiveram uma relação quinze anos antes, quando ela tinha apenas 12 anos — e ele 41. O acerto de contas escancara as consequências irreversíveis do abuso sexual no passado. Diariamente, às 19h30. Gratuito, com transmissão via Facebook (@vivianirayes). Até 27 de março.