Comércio de rua aposta nas vendas de última hora para o Natal

Henrique Gomes Batista
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SÃO PAULO - Pagamento do 13º salário, promoções de última hora e temor de atrasos na entrega do e-commerce tendem a favorecer o varejo tradicional, em shoppings e comércio de rua, às vésperas do Natal. No último fim de semana antes da festa, os consumidores foram às compras, e as lojas ficaram cheias.

Contudo, apesar do agravamento da pandemia, houve também aglomeração. No comércio popular das ruas do Brás, em São Paulo, por exemplo, além de não existir distanciamento social, muitas pessoas não utilizavam máscaras, aumentando o risco de contaminação. Em Brasília, um shopping chegou a ser interditado pela vigilância sanitária devido ao forte fluxo de consumidores, de acordo com o site G1.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que neste Natal as vendas serão 3,4% superiores às registradas no ano passado, movimentando R$ 38,1 bilhões. O comércio físico, em shoppings e no varejo de rua, deve ter alta de 1,5% no faturamento, enquanto o comércio eletrônico deve superar em 64% as vendas do ano passado — o segmento, porém, ainda representa apenas cerca de 6% do total do setor no Brasil.

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) prevê alta de 35% no número de frequentadores na semana do Natal em relação às semanas anteriores. Mesmo assim, a associação estima que as vendas dos shoppings deste ano serão 2% inferiores às de 2019.

No Rio, os shoppings Nova América, Boulevard, Botafogo Praia e Madureira registraram nos últimos dias aumento no fluxo em comparação às semanas anteriores.

— Nossa aposta é que o consumidor ajuste o orçamento para priorizar quem vai presentear neste Natal e invista mais para agradar aquela pessoa especial, aumentando o ticket médio da data — diz Diego Marcondes, head de Marketing da Ancar Ivanhoe, que administra os shoppings.

Segundo Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, apesar de a marca deste Natal ser o brutal avanço do comércio eletrônico, por causa da pandemia, o segmento tende a perder força conforme se aproxima o feriado, já que muitos consumidores temem não receber produtos adquiridos no e-commerce até o Natal.

— Apesar de uma parte da população estar com medo de shoppings por causa da pandemia, a movimentação das lojas físicas também está aumentando porque muitas pessoas receberam o 13º agora, e há uma busca por promoções de última hora — diz Bentes, economista-chefe da CNC.

Em Brasília, segundo o G1, aglomerações ocorreram em vários shoppings da capital do país. O Taguatinga Shopping chegou a precisar fechar as portas no sábado após descumprir as normas de segurança de combate à Covid-19. De acordo com informações da Secretaria de Saúde, uma equipe de fiscais flagrou "grande aglomeração de pessoas, desrespeito ao uso de máscara e ao distanciamento social nos corredores e na praça de alimentação".

Os centros de compras ouvidos pela reportagem afirmam que seguem os protocolos de saúde, e o Taguatinga Shopping afirmou que resolveu a situação e foi reaberto, com um número menor de clientes, poucos minutos após a interdição. De acordo com a Vigilância Sanitária do Distrito Federal, a multa prevista para esse tipo de infração varia entre R$ 2 mil e R$ 2 milhões.