Com ômicron e gripe, médicos sugerem festa de fim de ano com poucos parentes

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***ARQUIVO***SANTOS, SP, 21.11.2017 - Fachada do pronto-socorro do Hospital Universitário da USP, em São Paulo. (Foto: Robson Ventura/Folhapress)
***ARQUIVO***SANTOS, SP, 21.11.2017 - Fachada do pronto-socorro do Hospital Universitário da USP, em São Paulo. (Foto: Robson Ventura/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Próximo às celebrações de fim de ano, o surgimento das variantes ômicron da Covid-19 e Darwin, da influenza H3N2, preocupam os médicos. De acordo com os especialistas, se a população não se prevenir, o início de 2022 pode ser marcado por um cenário de piora da crise sanitária, com o agravamento da pandemia de coronavírus somada à epidemia de gripe.

Gerson Salvador, infectologista no Hospital Universitário da USP, afirma que é possível se reunir no fim do ano, mas com cuidado. Ele sugere, por exemplo, que eventos aconteçam em lugares abertos, como no quintal de casas, e que as pessoas mantenham o distanciamento entre si. O uso de máscara deve ser mantido durante o evento e retirado apenas na hora da refeição.

A higienização das mãos também deve ser constante. "O álcool tem eficácia relativa para a Covid-19, mas é muito eficaz para o vírus da influenza", diz o médico.

Ele recomenda que as pessoas não subestimem a influenza, que causa a morte de 300 a 600 mil pessoas por ano e pode ser grave na população mais vulnerável, como crianças menores de dois anos, puérperas, pessoas com problemas respiratórios e idosos.

Infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Raquel Stucchi avalia que o Natal de 2021 será realizado com muito cuidado. Na presença de idosos e imunossuprimidos, é recomendável o uso de máscaras com filtragem melhor, como a N95, e que todos estejam com a vacinação completa e atualizada. E, quem quiser se abraçar, deve fazer isso sem beijo e ainda de máscara.

Stucchi diz que, no caso de idosos com mais de 80 anos, é preciso ficar atento aos sinais de alteração de comportamento, como agitação e desânimo, falta de ar e cansaço. Segundo ela, estes podem ser sinais de influenza que indicariam a necessidade da consulta presencial com um médico.

"Os números da Covid-19 são, realmente, os melhores desde o início da pandemia, mas temos

a certeza que a ômicron vai ser a variante que vai dominar as infecções, mas não sabemos ainda qual a capacidade dela de causar doenças mais graves", diz a médica.

Jamal Suleiman, infectologista do hospital Emilio Ribas, alerta que reuniões devem ser restritas a pequenos grupos de pessoas e que o uso de máscaras deve ser constante. "Se não fizermos isso, vai ter muita gente doente e isso vai comprometer o sistema de saúde", adverte o médico.

Ele lembra que quem estiver com sintomas de gripe não deve comparecer às festas de fim ano. "Quem tiver sintomas deve ficar sozinho e fazer como fizemos durante toda a pandemia da Covid : ligue por vídeo e converse."

Outro alerta feito pelo médico foi quanto às festas privadas de Ano-Novo. "Estes eventos precisam ser revistos. As festas não podem, neste instante, ser um risco de disseminação desse vírus."

A atual vacina da gripe não protege contra a variante H3N2 e a previsão é que o imunizante que contemple essa nova cepa chegue apenas em março de 2022. Além disso, a cobertura vacinal entre os grupos prioritários neste ano no estado de São Paulo foi baixa, de apenas 55,5%.

Suleiman afirma que isso preocupa e faz um alerta de que a vacina da gripe segue sendo importante para evitar o adoecimento e surgimento de novas variantes. Ele analisa ainda que a disseminação de influenza é tão rápida quanto a variante ômicron. "Se você aglomera, o risco está aí. Você vai escolher o quê? Sars-Cov-2 ou influenza? Eu prefiro nenhum", diz.

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