Com 1.271 mortes em 24 horas, Brasil se aproxima de 60 mil óbitos por Covid-19, aponta consórcio de veículos da imprensa

Em manifestação, 1.000 cruzes foram colocadas na frente do Congresso Nacional em Brasília

O Brasil registrou 1.271 mortes por Covid-19, elevando o total de vítimas fatais para 59.656. A proximidade dos 60 mil óbitos ocorre apenas dez dias após o país chegar à marca de 50 mil mortes, registrada no dia 20 de junho. Os dados das secretarias estaduais de saúde apontam também que 37.997 novos casos foram registrados nas últimas 24h, culminando no total de 1.408.485 infectados.

As informações que constam do boletim das 20h são do levantamento realizado por um consórcio de veículos de imprensa formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo. Três vezes ao dia, as informações sobre casos e mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil são atualizadas com base nas informações das secretarias estaduais de saúde. O próximo boletim será divulgado às 8h de amanhã, quarta-feira.

Os números de cada terça-feira em geral refletem ainda um resíduo do que aconteceu no fim de semana anterior, por causa da diferença na contabilidade dos dados fora dos dias úteis.

De acordo com o ranking divulgado pela Universidade Johns Hopkins, o Brasil segue na segunda colocação mundial tanto em número de casos quanto no número de mortos. O país fica atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 2.623.217 casos e 127.272 mortes pela Covid-19, registra a plataforma da universidade americana.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde na noite desta terça-feira apontam que o Brasil registrou 33.846 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, além de 1.280 óbitos. Com isso, o país chega a 1.402.041 infectados pelo novo coronavírus e a 59.594 mortes provocadas pela doença, das quais 525 ocorreram nos últimos três dias. A pasta informa ainda que 3.950 mortes estão em investigação.

São Paulo continua como estado com mais casos da doença: são 281.380 até o momento. Em seguida vêm Rio de Janeiro (112.611), Ceará (108.699), Pará (103.206) e Maranhão (80.451). Quando observados os óbitos, São Paulo também aparece na dianteira, com 13.763 mortes registradas. Depois vêm Rio de Janeiro (10.080), Ceará (6.146), Pará (4.920) e Pernambuco (4.829).

Cientistas, pesquisadores e profissionais da saúde alertam para uma possível piora na transmissão do vírus durante o inverno, apesar de até agora nenhum estudo ter sido taxativo a respeito da relação entre o avanço do coronavírus e as baixas temperaturas. A estação começou oficialmente no Brasil no dia 20 de junho. Segundo esses especialistas, a baixa umidade, a predisposição de as pessoas ficarem com as mucosas mais sensíveis por causa do frio, provocando corizas e alergias respiratórias, o que facilita qualquer tipo de transmissão viral, e a tendência de passar mais tempo em ambientes fechados, situações comuns no inverno brasileiro, podem dificultar ainda mais o controle da pandemia.

Um estudo — ainda não publicado — realizado pelo professor de Física Teórica da Unicamp, Giorgio Torrieri, analisou 35 fatores que podem ter contribuído para a disseminação do coronavírus em 130 países, entre eles o Brasil. As variáveis teriam favorecido a propagação do coronavírus na fase inicial da doença, antes que governos tomassem medidas de isolamento.

Segundo Torrieri, a temperatura aparece como uma das variáveis mais significativas, classificada no documento como "forte evidência": quanto mais baixa, maior a transmissão. Porém, admite ele, a constatação pode ser apenas uma coincidência, uma vez que a doença atingiu primeiro a China e outros países da Europa que vivenciavam o período de inverno.

No início da pandemia do novo coronavírus, acreditava-se que somente os doentes com sintomas da Covid-19 poderiam transmiti-la a outras pessoas. Para eles, a doença teria as mesmas características de uma "prima" próxima, a Sars. Não foi o que se viu nos meses seguintes, no entanto. Segundo entrevistas realizadas com médicos e autoridades de saúde de mais de 12 países, o risco de contaminação por pessoas assintomáticas não foi levado em consideração, o que acabou por retardar em dois meses o correto enfrentamento da doença. 

De acordo com pesquisadores, esse atraso teria ocorrido por conta de afirmações científicas inconsistentes, rivalidades acadêmicas e pela própria relutância em admitir que, uma vez com o vírus, as nações teriam que tomar medidas extremas.

A União Europeia confirmou oficialmente nesta terça-feira que residentes do Brasil e dos Estados Unidos serão barrados na reabertura das fronteiras externas do bloco, no dia 1° de julho, após mais de três meses fechadas. De início, o processo gradual permitirá apenas a visita de pessoas oriundas de um grupo de 14 países que conseguiram controlar a pandemia da Covid-19 em seus territórios. Nas Américas, apenas Uruguai e Canadá foram incluídos no seleto rol.

Diretores do braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas afirmaram que os países da Europa que adotem restrições de entrada a turistas das Américas, entre eles brasileiros, têm autonomia para fazê-lo em meio à pandemia de Covid-19. Em coletiva virtual nesta terça-feira, especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) afirmaram que a decisão de barrar a entrada de viajantes da região "corresponde a cada país".

— Muitos países já implantaram restrições de viagem até agora. Entre as medidas mais úteis está o monitoramento das pessoas que vão viajar. Quer dizer, identificar os sintomáticos antes da viagem. É uma responsabilidade compartilhada. Mas não existe risco zero. Então é importantíssimo também implementar medidas no país de destino — disse Ciro Ugarte, diretor de Emergências em Saúde da Opas.

A alta comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, manifestou nesta terça-feira a preocupação de que a polarização e declarações que neguem a realidade da pandemia de Covid-19 possam agravar a situação provocada pela doença respiratória causada pelo coronavírus no Brasil e em outros países.

Em discurso durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a situação dos direitos humanos no mundo e os impactos da pandemia, Bachelet também expressou preocupação com a situação dos povos indígenas diante do contágio.