Com 120 mil membros, grupo do Facebook criado para ajudar pessoas na pandemia sai do ar

Priscilla Aguiar Litwak
·3 minuto de leitura

NITERÓI — Há um ano, a arquiteta moradora de Niterói Katia Yusim passou a ter uma nova função: tornou-se administradora voluntária de um grupo que criou no Facebook para encontrar um vendedor ambulante. A página virou um fenômeno e já ajudou centenas de pessoas de sua cidade e da região em dificuldades devido o isolamento social imposto pela Covid-19. Atualmente com quase 120 mil membros, a rede de apoio Uma Mão Lava A Outra rendeu a Katia também um prêmio oferecido pelo GLOBO-Niterói como reconhecimento pelo trabalho, mas, há duas semanas, está fora do ar. A administradora diz que, nesse meio tempo, vem tentando contornar “o caos que tem sido viver sem o grupo". Procurado, o Facebook informou que está avaliando o caso.

A arquiteta conta que a página saiu do ar por um engano dela, que, em vez de rejeitar publicações que violavam as regras da rede social, clicou em aceitar.— No mês passado eu tinha excluído mais de 1.500 postagens, comentários e até membros que julgava fora do sentimento de empatia com a dor dos outros, como sempre fizemos desde março de 2020. Para me facilitar a limpeza do grupo, selecionei palavras-chaves como "vendo", "alugo" e "vendas", e no dia do bloqueio tinha mais de 150 publicações com essas palavras. Sempre apagava os posts pelo meu computador, mas nesse dia resolvi apagar pelo meu celular, e ao invés de clicar em apagar tudo, cliquei em aprovar tudo. Infelizmente foi uma falha minha, tenho noção disso, mas seria facilmente explicável se o Facebook me ouvisse, o que não ocorreu — lamenta. Katia conta ainda que recebeu um aviso de bloqueio do Facebook e que tentou seguir as recomendações da rede para que a página voltasse ao ar, mas não obteve sucesso. — O aviso dizia que o grupo estava sendo bloqueado porque eu tinha aprovado sete posts que fogem às regras da rede. Tentei seguir o que o Facebook me pediu, e a única solução que me dava era de me excluir do grupo, sendo que eu era a única administradora ativa. Fiz isso e mesmo assim a página continua bloqueada. Tentei entrar em contato com o Facebook duas vezes e pessoas que fazem parte do grupo também, mas até agora, nada. Só recebi uma mensagem pronta.

O engano aconteceu há duas semanas. Desde então, Katia conta que não para de receber mensagens de pessoas que sobreviviam com a ajuda do grupo.— Já recebi cerca de 100 mensagens de pessoas que não entendem o que houve e pedem ajuda, me relatando que não podem ficar sem o grupo, ainda mais agora, com tudo voltando a fechar. Muita gente que criou negócios a partir do grupo e pessoas que dizem que precisam da página para comer e não sabem o que fazer. Estou tentando ajudar como posso, mas sem a rede está muito difícil.Uma das mensagens de solidariedade e de preocupação com o futuro do grupo que a arquiteta recebeu foi de Suzana Murgel. A artesã conta que teve uma grata surpresa ao conhecer o grupo no início da pandemia e ver que realmente existia uma rede de apoio mútuo, que era uma chama de esperança. Suzana conta que começou a vender suas peças na página e viu suas vendas aumentarem.

— Vi que o grupo realmente se envolvia e ajudava quem precisava, seja com doações, compra ou venda de produtos. Eu virei uma chave na minha vida, e foi quando acreditei no grupo que comecei a vender meu artesanato e fiz clientes que me procuram ainda hoje e estão fidelizados sem que eu precise postar todos os dias. Precisamos que o grupo volte o quanto antes.

O artista plástico Rene Mendes também enviou uma mensagem para Kátia. Ele contou que quando a pandemia começou vendia seus quadros em feiras e praças e estava na internet procurando uma forma de continuar trabalhando quando encontrou o grupo, que vinha garantindo o sustento de sua família.

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