Com 4 milhões de vacinados, Israel terá 'crachá covid' para diferenciar acessos

Guillaume LAVALLÉE
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Israelense recebe vacina em Tel Aviv, em 16 de fevereiro de 2021

"Se você está vacinado, pode entrar". Israel, líder mundial na campanha de imunização contra a covid-19, iniciou um polêmico projeto de "crachá" para que apenas as pessoas vacinadas tenham acesso às academias, shows e restaurantes.

Nos últimos dias, o gabinete ministerial anunciou um calendário para retirar o país de seu terceiro confinamento desde o início da pandemia com uma intensa campanha de vacinação, que transforma Israel em um pequeno "laboratório mundial".

Até o momento, quatro milhões de israelenses foram vacinados (45% da população), dos quais 2,6 milhões receberam a segunda dose, de acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde. Esta é a maior taxa de vacinação do mundo.

A principal operadora de planos de saúde do país, Clalit, publicou um estudo sobre 1,2 milhão de pessoas que concluiu que a vacina da Pfizer/BioNTech - as empresas com as quais Israel tem um acordo de troca de dados biomédicos - tem uma eficácia de 94%.

Com uma vacina eficaz e um elevado percentual da população vacinada, as autoridades planejam reabrir gradualmente academias, museus, shoppings, restaurantes e cafés a partir de domingo (21).

Mas não para todos.

O governo anunciou um sistema de "crachás": roxo, para os que ainda não foram vacinados, ou que receberam apenas uma dose; e de cor verde, para os que receberam a segunda dose, ou estão "recuperados" da covid-19.

Shoppings, bibliotecas, museus, cafés e alguns locais de culto abrirão em sistema "roxo", ou seja, para todos.

Academias, eventos esportivos e culturais, restaurantes (com reserva) estarão abertos para os titulares do "crachá verde", ou seja, apenas para aqueles com certificado de dupla vacinação, ou de recuperação.

"Estamos avançando para um desconfinamento responsável na forma de 'Sim, você está vacinado, pode entrar'", disse o ministro da Defesa, Benny Gantz, sobre esta medida, que pode ser difícil de aplicar nas empresas.

Além dos "crachás", os israelenses que receberam as duas doses também poderão obter um "passaporte verde". O documento permitirá a entrada no país depois de uma viagem ao exterior sem a necessidade de cumprir quarentena, mas desde que apresentem um teste negativo de covid-19.

- "Equilíbrio delicado" -

No início da pandemia, os serviços de Inteligência recorreram a medidas antiterroristas para localizar pessoas que estiveram em contato com outras que haviam contraído covid-19. A medida gerou polêmica e levou os políticos a frearem a iniciativa.

Desta vez, o governo estimula a vacinação, mas também deseja encontrar um "equilíbrio delicado" entre a saúde pública e o respeito às liberdades individuais, disse à AFP Hagai Levine, professor e pesquisador de Saúde Pública na Universidade Hebraica de Jerusalém.

"Em Israel, qualquer pessoa (maior de 16 anos) pode ser vacinada gratuitamente (...) e acredito que é necessário tomar a vacina. Mas também é um direito não querer fazê-lo e, neste sentido, o governo não pode obrigar ninguém", afirmou.

O "crachá" e o "passaporte covid" foram anunciados no momento em que as autoridades tentam estimular a vacinação entre os mais jovens, ao mesmo tempo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se esforça para recuperar a economia antes das eleições de 23 de março, cruciais para sua sobrevivência política.

De acordo com dados oficiais, 96% das pessoas com idades entre 70 e 80 anos, mais vulneráveis à covid-19, receberam ao menos uma dose da vacina, uma taxa que é de apenas 44% entre os jovens de entre 20 e 29 anos, em um país que não tem problemas de fornecimento de vacinas.

"As autoridades deveriam ter colocado em prática esta medida (os crachás) um mês antes (...) mas isto é parte, claramente, da campanha de reeleição de Netanyahu", aponta Levine.

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