Com 4% de pretos, Câmara mantém disparidade racial

Fátima Meira/Futura Press

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vinte e um deputados autodeclarados pretos foram eleitos para a Câmara no último domingo (07). O número é igual ao de 2014, o que representa 4% do total de parlamentares.

O levantamento, feito pela reportagem, leva em consideração o que o próprio candidato respondeu na ficha eleitoral ao registrar sua candidatura.

Segundo os últimos relatórios do IBGE, a população que se diz preta é de 8,6% no Brasil.

Por outro lado, o número de negros, que é a soma de pretos e pardos, aumentou ligeiramente de 20%, em 2014, para 23,8% na disputa deste ano.

Em 2014, 102 eleitos se declararam pretos ou pardos, enquanto em 2018 são 122. Há ainda dois parlamentares que se declaram amarelos e um indígena.

No Brasil, também segundo o IBGE, a população negra atualmente é de 55,4%, ou seja, mais da metade.

No Senado, os eleitos que se autodeclaram pretos são apenas três, e pardos, 11. Não há dados disponíveis de 2010, a última vez que 54 senadores (dois terços da Casa) foram eleitos, para fins de comparação.

RECURSOS

Nestas eleições, os candidatos homens à Câmara que se declararam negros (categoria que considera a soma de pretos e pardos) tiveram, em média, 21,5% menos recursos para empregar em suas campanhas do que os candidatos brancos.

Segundo levantamento feito pela ONG Transparência Partidária a pedido da Folha de S.Paulo, os dados declarados ao TSE até sábado (6) mostram que a receita média dos candidatos negros foi de R$ 27.409, considerando os recursos públicos dos fundos partidário e eleitoral e as doações de pessoas físicas. Já a receita média dos brancos foi de R$ 34.914.

Se forem consideradas somente as doações de pessoas físicas, a diferença se aprofunda. Candidatos brancos receberam, em média, R$ 8.443 de doações.

Os autodeclarados pardos, R$ 6.171 (27% a menos). E os pretos, R$ 3.291 (61% a menos em relação aos brancos).

Entre candidatas mulheres, as negras também arrecadaram menos para suas campanhas. Enquanto as mulheres brancas receberam, em média, R$ 38.223, as pretas e pardas tiveram R$ 36.326, cerca de 5% a menos.

Considerando somente doações de pessoas físicas, as candidatas brancas receberam R$ 5.260, em média.

As autodeclaradas pardas levaram R$ 2.981 em doações, e as pretas, R$ 2.965 (para ambas, cerca de 43% a menos).