Com 816 novos óbitos, Brasil supera 15 mil mortes e passa Itália e Espanha em casos de coronavírus

LARISSA GARCIA
SÃO PAULO, SP, 06.05.2020 - CORONAVÍRUS-SP - UTI de tratamento da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, no hospital alemão Oswaldo Cruz. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Brasil superou a Itália e a Espanha em número de casos neste sábado (16), registrando 14.919 novas confirmações de infecções pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo dados anunciados pelo Ministério da Saúde, e acumulando 233.142 casos confirmados desde o início da pandemia, em fevereiro.

Com isso, o país é agora o quarto com mais casos no mundo, atrás apenas de EUA, Rússia e Reino Unido e à frente dos 223.885 casos italianos e dos 230.698 espanhóis anotados pela Universidade Johns Hopkins. No mundo, os casos registrados da doença que eclodiu em dezembro último na China somam mais do que 4,6 milhões, com 310 mil mortes espalhadas por cinco continentes.

No mesmo período de 24 horas, foram computadas 816 novas mortes no Brasil por causa da doença, elevando o total para 15.633 mortes no mesmo dia em que o país completa dois meses do primeiro óbito por Covid-19 registrado e caminha rapidamente para tornar-se o epicentro da pandemia, ao lado dos EUA.

Apenas uma semana antes, no sábado, dia 9, o Brasil cruzara a barreira simbólica dos 10 mil mortos —um salto de mais de 50% nas mortes em sete dias.

As marcas tétricas são alcançadas um dia depois do pedido de demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, que deixou o cargo antes mesmo de completar um mês no posto por sentir-se pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro a ampliar o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, posição da qual discorda.

O general Eduardo Pazuello assumiu interinamente o ministério. É a segunda troca de ministros da pasta desde o início da pandemia. Luiz Henrique Mandetta, que comandava o ministério antes de Teich, foi demitido em 16 de abril também por discordar do chefe a respeito da cloroquina. ​

O remédio, cuja eficácia no combate ao novo coronavírus não tem base científica, tem sido usado como bandeira pelo presidente para motivar suas filas na guerra ideológica. Possivelmente, norteará a escolha do novo ministro em um momento em que o país vê suas UTIs lotarem, a crise econômica se agravar em decorrência da pandemia, os dados a respeito da doença se mostrarem insuficientes e as mortes se avolumarem.

O Brasil, que registrou seu recorde de óbitos em 24 horas na terça-feira (12), com 881 mortes decorrentes da Covid-19, ocupa a sexta posição no ranking global de óbitos da nova doença.

Os cinco primeiros são EUA (88 mil), Reino Unido (35 mil), Itália (32 mil), França e Espanha (ambas com cerca de 28 mil). No entanto, a Rússia, vice-campeã de casos, lista menos de 3.000 mortes, um alvo de desconfiança interna e externa.

Os números diários do Brasil devem crescer na próxima semana. No fim da semana, os dados costumam cair porque os laboratórios trabalham em esquema de plantão. O mesmo ocorre na segunda, que abrange dados de domingo.