Com 82% da população na pobreza, Líbano tenta invisibilizar miséria, mas vai às urnas por mudanças

Segundo dados de 2021 da ONU, 82% da população libanesa vive hoje na pobreza, e apenas entre 2019 e 2020, a taxa de empobrecimento saltou de 28% para 55% no Líbano. Num país que dá a impressão de ter sido solenemente abandonado por seus dirigentes históricos, o assistencialismo e iniciativas isoladas da sociedade civil libanesa tentam tapar os buracos deixados pela ausência de políticas públicas contra a espiral de empobrecimento, que hoje também ameaça a classe média libanesa.

Márcia Bechara, enviada especial da RFI ao Líbano

Alguns libaneses preferem jogar a poeira para debaixo do tapete, numa tentativa de invisibilização da miséria. O país tem poucas pessoas em situação de rua, ao contrário, por exemplo, do Egito, na mesma região. Há poucos sem-teto visíveis, em comparação com o Brasil ou mesmo a Europa, como a reportagem da RFI constatou em cidades como Beirute, Tripoli, Byblos, ou mesmo na região agrícola do vale do Bekaa. Uma razão para esta invisibilidade é que a longa história de pobreza no Líbano parece ter ficado de fora do debate público, sobretudo nestas eleições legislativas de 2022.

O fenômeno tende a ser percebido como algo "importado", com os pobres muitas vezes apresentados como migrantes ou refugiados. “São sírios”, reforça a guia local que acompanha a reportagem, mostrando pedintes no sinal de trânsito. “O libanês não pede esmola”, insiste Ella Bittar, presidente da associação caritativa Saint-Vincent de Paul, em Beirute, que há 40 anos oferece assistência alimentar a milhares de famílias libanesas.


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