Com adiamento de 007, estúdios analisam que blockbusters ainda sofrerão com o coronavírus

RIO — Com o adiamento da estreia mundial do novo 007, "Sem tempo para morrer", para morrer, de 31 de março para novembro, Hollywood já se prepara para uma onda de cancelamento de blockbusters por conta da epidemia de coronavírus.

Divulgado ontem, o anúncio da Universal não citava diretamente os riscos da epidemia, alegando uma "consideração cuidadosa e profunda avaliação do mercado de cinema global". Mas já era esperado que grandes lançamentos fossem adiados, diante das 70 mil salas de cinema da China proibidas de funcionar.

Agora, a indústria analisa quais os qrandes lançamentos que podem ser adiados e como isso irá impactar o calendário de 2020. Entre as estreias mais esperadas, vêm, na sequência, "Viúva Negra" e o nono longa da franquia "Velozes e furiosos", ambos previstos para maio. Tanto Disney quanto Universal mantém a data destes lançamentos, mas acompanham de perto a crise causada pelo surto global. Em junho, estão previstos dois grandes lanlçamentos da Warner Brothers: "Scoob!", animação digital com os personagens de Scooby-Doo, e "Mulher Maravilha 1984". Segundo reportagem da BBC, cada estúdio hoje mantém um gabinete de crise para monitorar dia a dia o avanço do coronavírus.

Além da questão financeira, os adiamentos causam um grande problema de planejamento para os estúdios, já que cada estreia é definida com meses de antecedência, levando em conta as datas de estreia de outros potenciais concorrentes.

'Efeito dominó'

Apesar de os maiores prejuízos se concentrarem na indústria cinematográfica, o coronavírus vem afetando várias outros setores. Após a confirmação do cancelamento da Feira do Livro de Londres, na última terça-feira, nesta quinta foi adiada a Bienal de Arquitetura de Veneza, prevista para maio, e que será realizada de 29 de agosto a 29 de novembro.

"As novas datas para a Bienal de Arquitetura foram estabelecidas como resultado das recentes medidas preventivas de mobilidade adotadas pelos governos de um número crescente de países ao redor do mundo, que terão um efeito dominó no movimento de pessoas e no trabalho nas próximas semanas", destaca o comunicado da organização.

Com curadoria do arquiteto libanês Hashim Sarkis e tendo como título "Como vamos viver juntos?", a 17ª edição da bienal vai reunir representantes de 63 países, e terá duração de três meses, em vez dos seis tradicionais.