Com agência de coleta seletiva do lixo, Penha ganha moeda social

A reciclagem ganha força na Penha neste Mês do Meio Ambiente. É que na subida do santuário da igreja ícone do bairro já está funcionando uma recém-inaugurada agência de coleta seletiva para receber materiais de catadores e moradores.

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Na unidade, eles podem se cadastrar no cartão moeda social Eccos, contabilizando o resíduo reciclável com o crédito correspondente, para fazer compras no comércio da região e efetuar pagamentos de serviços, como recargas de celular e transferências.

O projeto é coordenado pela Pastoral da Ecologia Integrada, da Basílica Santuário da Penha, com apoio da Associação dos Recicladores do Estado do Rio de Janeiro (Arerj), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e das secretarias de Estado do Ambiente e Sustentabilidade e de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

Para ilustrar a importância da atividade, a escadaria do templo recebeu sacos com resíduos retirados das ruas pelos recicladores no fim de maio, quando foi inaugurada a Agência Igreja da Penha.

— Reciclar é importante ferramenta de cuidado com o meio ambiente, de socialização e de combate à pobreza, gerando trabalho e renda para milhares de pessoas. Os moradores da região terão aqui uma importante parceria social para novas oportunidades — diz o presidente da Arerj, Edson Freitas.

A arquidiocese do Rio e o padre Thiago Sardinha, da paróquia, incentivam a coleta seletiva na basílica há dois anos, com o programa de parcerias em comunidades da Plastic Bank, empresa social que atua para impedir o descarte nos oceanos.

Mais de seis mil quilos de plástico já foram doados pelos fiéis, impedindo que cerca de 300 mil garrafas chegassem a rios e mares. A renda obtida com os recicláveis foi revertida para obras sociais apoiadas pela igreja na comunidade. Para o padre Thiago, é um orgulho poder contribuir com ações em prol do meio ambiente e dos moradores da Penha.

— A reciclagem é um trabalho de justiça social e também evangelizador. Um passo para o futuro. A ação da unidade na comunidade será também de justiça ambiental — frisa Arthur Ribeiro, o Tulcu, responsável pela agência e membro da Pastoral da Ecologia Integrada da igreja.

Moradora da Penha há 47 anos, Gisele Silva Alves acredita no sucesso da iniciativa. Ela destaca a boa convivência dos moradores do entorno com o santuário.

— A ideia pode se expandir pela região como meio de pacificação social — confia Gisele.

Por falar em violência, o presidente da Arerj cita a importância da valorização dos catadores, no momento em que alguns setores tentam criminalizar a categoria por recepção de materiais roubados.

— O reciclador de verdade sabe o que não pode receber no seu depósito. O que acontece é que, com a crise econômica, tem mais pessoas catando materiais, e algumas fazem coisas erradas. Mas a maioria legalizada não pode pagar pelo erro da minoria — afirma Edson Freitas.

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