Com ajuda de 'robôs', base bolsonarista pressiona presidente da CPI da Covid no Twitter

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A base de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro movimentou as redes sociais nesta segunda-feira para pressionar o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), a convocar o secretário-geral do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, para depor na comissão. Com ajuda de contas com comportamento semelhante ao de bots, a #OmarConvoqueGabas chegou ao segundo lugar entre os assuntos mais comentados no Twitter.

A atividade de robôs para ajudar a impulsionar a hashtag nas redes sociais foi identificada pela plataforma Bot Sentinel. Desde o início da tarde de hoje, pelo menos 190 tuítes foram disparados por contas inautênticas.

O requerimento para convocação de Carlos Gabas para depor como testemunha na CPI foi apresentado pelo senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE). O pedido ainda não foi deliberado, mas menciona a compra de 300 ventiladores clínicos de UTI pelo Consórcio Nordeste por mais de R$ 48 milhões.

O valor total foi pago por nove estados da região para garantir os aparelhos essenciais ao tratamento de casos graves da Covid-19. Vários atrasos na entrega dos produtos e a posterior recusa da empresa de devolver o dinheiro já recebido despertou suspeitas entre governadores e autoridades de saúde que a transação se tratava de uma fraude.

A compra foi alvo da Operação Ragnarok, da Polícia Civil da Bahia, em junho do ano passado, em que dois mandados de prisão foram cumpridos no Distrito Federal, e um no Rio de Janeiro. Além disso, mais de 150 contas bancárias vinculadas ao grupo empresarial que vendeu os respiradores foram bloqueadas por determinação judicial. O Consórcio Nordeste acionou a Justiça para reaver os valores repassados em abril de 2020 para a empresa.

Carlos Gabas foi ministro da Previdência Social nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, e atualmente comanda os processos de compra do grupo que reúne os governadores do Nordeste. O processo que investiga o Consórcio pelas possíveis irregularidades foi enviado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pois "existem supostos atores que detêm prerrogativa de função junto ao STJ, além de haver informações preliminares de que parte da verba utilizada na contratação seria oriunda do SUS e do Fundo Estadual de Saúde, ambos abastecidos por recursos federais".

A principal estratégia da base governista na CPI da Covid são os requerimentos que tratam dos repasses federais para estados e municípios durante a pandemia. A aposta é que a comissão poderia desviar o foco do Executivo federal na CPI, mas o tema tem tido pouco destaque entre a maioria das solicitações aprovadas que tratam exclusivamente do governo federal.

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