Com alta nos casos de covid, presidente do Chile propõe adiantamento de eleições

Anita Efraim
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SANTIAGO, CHILE - DECEMBER 24: Chilean President Sebastian Pinera delivers a press point as the first 10,000 doses of the Pfizer-Biontech vaccine coming from Belgium to control the spread of the Covid-19 pandemic arrive at the Santiago International Airport on December 24, 2020 in Santiago, Chile. (Photo by Cristobal Saavedra Vogel/Anadolu Agency via Getty Images)
Presidente do Chile, Sebastián Piñera, pediu adiamento das eleições em 5 semanas (Foto: Cristobal Saavedra Vogel/Anadolu Agency via Getty Images)
  • Presidente do Chile, Sebastián Piñera, pediu adiamento das eleições em 5 semanas

  • Pleito aconteceria em 10 e 11 de abril e definiria nova assembleia constituinte, prefeitos e subprefeitos, "vereadores" e governadores

  • País vive alta de casos de covid-19 e lockdown em diversas regiões

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, enviou nesta segunda-feira (29) uma proposta ao Congresso para adiar as eleições que aconteceriam em 10 e 11 de abril. O pleito definiria uma assembleia constituinte, que redigirá a nova Carta Magna do país.

A votação também elegeria prefeitos e subprefeito, conselheiros (similar ao cargo de vereador) e governadores.

No entanto, Piñera quer adiar o pleito em cinco semanas. “Essa, como tantas outras, é uma decisão muito difícil, mas devemos toma-la e temos plena convicção de que é o melhor para o Chile e para os chilenos”, disse o presidente na noite de domingo (28). Dessa forma, a eleição seria em 15 de maio.

O país vive uma alta nos casos de covid-19, registrando mais de 7 mil pessoas contaminadas nos últimos três dias. Em decisão conjunta com autoridades sanitárias, como o Colégio Medico e o Ministério da Saúde, a conclusão foi que o mais prudente seria esperar mais algumas semanas.

Segundo a pesquisa Cadem, realizada no país, 73% dos chilenos acreditam que o mais adequado é adiar a eleição e realiza-la dentro de algumas semanas.

Lockdown em Santiago

Com o aumento do número de casos, toda a capital do Chile entrou em lockdown no último sábado (27). Parte da cidade já estava em confinamento, mas foi apenas no fim de semana que todas as regiões foram colocadas sob regras mais duras.

Outras regiões do país também estão na fase 1 do “Plan Paso a Paso”, plano federal que determina o grau de abertura ou confinamento.

As autoridades sanitárias esperam que, aliado à vacinação, o lockdown surta efeitos importantes e o país consiga diminuir o número de casos. Atualmente, o Chile tem 41 mil casos ativos de covid-19 e a ocupação de leitos de UTI chegou a 95%. Para que os efeitos do lockdown sejam sentidos, é preciso de pelo menos duas semanas.

Vacinação no Chile

Apesar do número alto de casos, a vacinação continua acontecendo de forma rápida no Chile. Até esta segunda-feira (29), foram aplicadas 9,6 milhões de doses. Até o momento, 6,3 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose, equivalente a 40,7% da população alvo. Entre eles, 3,2 milhões já tomaram a segunda dose.

Os mesários e os funcionários que trabalhariam na eleição já puderam começar a se vacinar, mas o tempo não seria suficiente para que eles tomassem as duas doses da vacina.

Professores e profissionais da saúde já puderam ser vacinados. Ao longo desta semana, o país está imunizando pessoas entre 52 e 56 anos, além de profissionais de comunicação com menos de 34 anos.

A intenção do país é vacinar toda a população alvo, 15 milhões de pessoas, até 30 de junho. 

Nova constituição chilena

Em outubro, os chilenos votaram em um plebiscito para definir se o país teria, ou não, uma nova constituição. Até hoje, a Carta Magna em vigor no país foi redigida durante a ditadura militar de Augusto Pinochet.

Na votação, 78,27% da população optou pela aprovação de uma nova Constituição para o país.

Ao votar, os chilenos receberam duas cédulas, uma para votar “apruebo” ou “rechazo” e outra para definir qual seria o modelo da assembleia constituinte. As opções eram “convenção constitucional mixta”, formada por representantes do povo e parlamentares, ou “convenção constitucional”, que teria apenas a participação popular. A segunda opção ganhou com 78,99% dos votos.

Independente da opção, ficou determinado que a assembleia que escreverá a nova Carta Magna será igualitária, ou seja, 50% dos integrantes serão homens e os outros, 50% mulheres.

Agora, o país viverá duas novas votações. A primeira, que pode ser adiada, para eleger esses representantes. A outra será em até 12 meses depois, para aprovar, ou não, o novo texto redigido pela assembleia constituinte.