Com ameaça de greve e reclamando de 'bolsa-diesel', caminhoneiros terão reunião no Planalto

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BRASÍLIA - Diante da possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros, representantes da categoria foram convidados para uma reunião no Palácio do Planalto no próximo dia 28, quinta-feira. Ao GLOBO, o presidente da Frente Parlamentar dos Caminhoneiros, o deputado Nereu Crispim (PSL- RS), afirmou que a ocasião servirá para que a classe apresente suas reivindicações ao governo.

A categoria é uma das mais tradicionais bases populares de apoio de Jair Bolsonaro, porém tem se distanciado do presidente. Para reverter isso, há uma tentativa de reaproximação, como a reunião desta semana, e Bolsonaro anunciou esta semana que pretende dar um auxílio de R$ 400 reais por mês, até dezembro de 2022, para 750 mil caminhoneiros. A notícia dividiu a categoria. Crispim diz que a proposta do presidente não foi muito bem recebida.

— Muitos grupos acabaram criticando a fala do presidente, porque a categoria não quer ser parte de assistencialismo político.

Segundo o parlamentar, vão participar da agenda representantes da Casa Civil e do Ministério da Infraestrutura, além de entidades ligadas ao setor. Procurados, porém, ambos os ministérios não confirmaram a presença dos chefes das pastas, Ciro Nogueira e Tarcísio Gomes de Freitas.

Os representantes dos caminhoneiros querem medidas concretas para que a política de preço de combustíveis seja alterada. Após um convite ser enviado à frente parlamentar pela Secretaria de Governo, a expectativa é que o Planalto faça a apresentação de uma proposta que já tramita na Câmara. Trata-se do texto que cria um fundo para evitar a oscilação do preço dos combustíveis.

— Eu não sou a favor da paralisação, mas não podemos negar a essa categoria que reivindique melhorias de trabalho. Desde a primeira paralisação (no governo Michel Temer), quase nada foi atendido. Com esses aumentos do óleo diesel, as confusões do Sete de Setembro (quando parte dos caminhoneiros deixou de apoiar Jair Bolsonaro), acabou qualquer perspectiva de melhoria para a categoria. No último dia 16 teve a reunião (de caminhoneiros) e se tornou insustentável — disse Crispim.

Para a reunião, também foram convidados o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas – CNTRC, a Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET); a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL); a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (ABRAVA); o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Três Cachoeiras (SINDICAM) do Porto de Santos.

Dois dias antes, segundo Crispim, os representantes dos caminhoneiros serão recebidos pela Petrobras.

A classe tem pelo menos 13 pontos de reivindicação, sendo um deles a defesa da constitucionalidade do piso mínimo de frete. O assunto é alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal. Pedem ainda a aposentadoria especial com 25 anos contribuição ao INSS e concessão de subsídio para renovação de frota.

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