Com Anderson Torres nos Estados Unidos, PF foi recebida por irmã de ex-ministro

Policiais federais chegaram por volta das 16h na casa do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra ele. No local, foram recebidos por dois advogados e uma irmã de Torres que estavam na residência. Os policiais saíram de lá pouco mais de um hora depois, com um malote em mãos. Ao GLOBO, um agente confirmou a apreensão de um notebook e documentos. Questionada na porta da casa, a defesa de Torres não se manifestou sobre o cliente que segue nos Estados Unidos, apesar da ordem de prisão determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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A suspeita de Moraes é que Torres, na função de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, tenha sido um dos responsáveis pelas falhas no esquema de segurança que resultou na invasão dos prédios dos Três Poderes no domingo. Diante da presença dos policiais, vizinhos se amontoaram na rua que dá acesso à casa de Torres. Parte deles bolsonaristas, defendiam o vizinho ilustre que, segundo diziam, "sempre garantiu a segurança" do condomínio localizado no Lago Sul, Região Nobre de Brasília. Outros que se identificavam como eleitores de Lula, filmavam a saída dos policiais federais e enviavam os registros para grupos do condomínio em aplicativos de conversa. "Estou lavando a minha alma", disse uma mulher que contou ter se desentendido com vizinhos no segundo turno das eleições. Apesar do clima tenso, não houve embate entre eles.

Também policial federal de carreira, Torres foi ministro da Justiça no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e se alinhou a diversas pautas do seu chefe, como as acusações falsas contra as urnas eletrônicas. Pela participação em uma live na qual Bolsonaro disseminou essas notícias falsas, ele se tornou alvo de investigação aberta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao deixar o governo Bolsonaro, retomou o posto de secretário de Segurança do DF, que ocupou durante a primeira gestão de Ibaneis Rocha.

Também nesta terça-feira, Moraes determinou a prisão do ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal coronel Fábio Augusto. O coronel foi exonerado do cargo pelo interventor federal na segurança do DF, Ricardo Cappelli. A atuação da Polícia Militar nos atos terroristas na Esplanada dos Ministérios, no domingo, foi criticada por diversas autoridades, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e motivou a decretação da intervenção.

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'Instituições irão punir todos os responsáveis'

Em discurso durante a posse do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Moraes afirmou que o combate aos terroristas que realizaram atos de vandalismo em Brasília continuará, e que "as instituições irão punir todos os responsáveis", inclusive "aqueles que incentivaram, por ação ou por omissão".

— As instituições irão punir todos os responsáveis. Aqueles que realizaram os atos, aqueles que financiaram, aqueles que incentivaram, por ação ou por omissão.

O ministro, que na segunda-feira determinou a desmobilização de todos os acampamentos de bolsonaristas no país, com a prisão de quem permanecesse no local, disse que o combate aos atos antidemocráticos continuará.

— Temos que combater firmemente as pessoas antidemocráticas, as pessoas que querem dar um golpe, as pessoas que querem um regime de exceção — disse.