Com Anitta no palco, festival dinamarquês Roskilde celebra 50 anos misturando música e sustentabilidade

via REUTERS - RITZAU SCANPIX

O festival de Roskilde celebra 50 anos e traz, além de artistas do cenário musical, projetos voltados para as áreas de economia circular e sustentabilidade na Dinamarca. Esta edição do evento também conta com brasileiros entre as atrações.

Fernanda Melo Larsen, correspondente da RFI na Dinamarca

Todos os anos, cerca de 130 mil pessoas participam do evento na cidade de Roskilde, que fica a pouco mais de 30 quilômetros de distância da capital Copenhague. A organização do evento musical é feita por 30 mil voluntários, que trabalham desde a montagem dos palcos até a segurança dos participantes e dos artistas que se apresentam no local.

Desde 1972, todo o lucro do festival é revertido para instituições de caridade ao redor do mundo. Um total de € 55 milhões foram arrecadados nestes 50 anos de evento (aproximadamente R$ 305 milhões).

Além do ativismo nórdico de sustentabilidade, neste ano, nomes do cenário internacional já conhecidos como Robert Plant, The Strokes e Post Malone, se apresentam no do festival. Artistas brasileiros também estão presentes em Roskilde.

No começo da noite desta quarta-feira (29), a cantora Anitta fez sua primeira apresentação nos países escandinavos, e até o 2 de julho outros nomes do cenário musical brasileiro, como o cantor Kiko Dinucci, Marina Lessa e Teto Preto fazem shows no festival.

Criado por dois adolescentes de 17 e 18 anos como um festival musical amador, o parque do Roskilde Festival impressiona pela organização e pelos detalhes. Comidas e bebidas vendidas durante o evento são de origem orgânica, cerca de 80% da eletricidade usada vem de fontes de energia renovável, e a água das centenas de banheiros espalhados pelo local é usada de forma econômica, para evitar o desperdício, como enfatiza a curadora de arte e ativismo social do festival, Rebekka Laugensen.

“Nós temos a plataforma singular, que é um laboratório de uma comunidade, e quando você está aqui no Festival de Roskilde, você é lembrado de como uma sociedade é construída. Basta lembrar que todos os anos nós montamos essa grande cidade musical e depois nós desmontamos e deixamos tudo organizado, isso nos lembra o que as pessoas podem fazer quando trabalham juntas”, disse a curadora.

As áreas de camping, por exemplo, são divididas em duas categorias: a que os jovens precisam separar e retirar todo lixo usado por eles e a área do silêncio noturno, onde quem está acampando não pode ligar aparelhos de som no período de descanso dos participantes.

Mas a sustentabilidade pode ser vista em todos os lugares do Roskilde Festival. Até as estruturas usadas na montagem das áreas comuns, nos camarins e nas lojas são feitas de material de reciclável ou reaproveitadas de anos anteriores.

O evento também é palco para ideias de economia circular e ativismo social. Na área dedicada aos grafites, todos os painéis e tintas são de material reutilizável. Para Klara Sørensen, que faz parte do grupo Juventude Verde, a busca por pensar no meio ambiente e na forma que usamos os recursos naturais tem que ser implementada todos os dias.

“Nós estamos aqui para encorajar as pessoas a fazerem mudanças significativas, porque é muito difícil mudar sozinho, colocar toda a responsabilidade de pensar no meio ambiente sozinho. Por isso, eu acho que uma experiência cultural como esse festival cria fortes relações entre nós seres humanos ou uma comunidade específica. Não existe um movimento social de uma pessoa só. Elas são construídas com relações sociais e organizações” diz Klara.

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