Com apoio de Covas e do PT, Milton Leite (DEM) é eleito presidente da Câmara de SP

ARTUR RODRIGUES E WILLIAM CARDOSO
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SÃO PAULO, SP, 01.01.2021: POSSE-SP: Cerimônia de posse do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), reeleito para o mandato de mais quatro anos, e seu vice Ricardo Nunes (MDB), além dos 55 vereadores municipais, em evento realizado na Câmara dos Vereadores, nesta sexta-feira (1º). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 01.01.2021: POSSE-SP: Cerimônia de posse do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), reeleito para o mandato de mais quatro anos, e seu vice Ricardo Nunes (MDB), além dos 55 vereadores municipais, em evento realizado na Câmara dos Vereadores, nesta sexta-feira (1º). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos principais aliados do prefeito Bruno Covas (PSDB), o vereador Milton Leite (DEM) foi eleito nesta sexta-feira (1º) presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Leite obteve 49 votos, contra 6 de Erika Hilton, do PSOL. O acordo de Leite, em troca de cargos na Mesa Diretora, incluiu até o PT, que faz oposição a Covas.

Milton Leite prometeu respeitar as minorias e harmonia dentro da Casa. "Caberá ao futuro presidente desta Casa buscar o equilíbrio e trazer da melhor maneira possível as condições para que todos os vereadores e vereadoras exerçam seu mandato", disse.

A vereadora Erika Hilton aproveitou os cinco minutos para defender sua candidatura à presidência da Câmara como forma de criticar a gestão Covas e lançar a ideia da criação de uma comissão permanente de defesa dos direitos humanos na casa.

Durante seu discurso, Erika atacou o aumento de salário de Covas. "É um absurdo que o prefeito, em tempo de cortes, aumente em 46% o próprio salário", disse.

A vereadora do PSOL também afirmou que a Câmara não pode ser "um puxadinho da prefeitura", nem defender apenas os interesses da elite.

Erika também disse que para promover a diversidade não basta oferecer cargos a mulheres negras. "Se faz representatividade quando nós [mulheres negras] conduzimos os processos", disse.​

Em protesto, vereadores do PSOL se retiraram da votação da Mesa Diretora após a eleição de Leite.

Vereadores do PT elogiaram Hilton, mas na hora de votar escolheram Leite. O vereador Eduardo Suplicy (PT) e outros ressaltaram que se trata de cumprimento à orientação do partido.

Em troca, o PT obteve o apoio para que a petista Juliana Cardoso fosse eleita primeira secretária da Mesa Diretora. Também devido ao acordo costurado por Leite, a primeira vice-presidente foi Rute Costa (PSDB), e o segundo vice-presidente foi Atílio Francisco (Republicanos)

Fernando Holiday (Patriota) foi o escolhido para o cargo de segundo secretário.

Chefe do Legislativo em 2017 e 2018, Leite assume a Presidência após após dois mandatos de Eduardo Tuma (PSDB), outro aliado de Covas.

Um dos principais cabos eleitorais do prefeito eleito na periferia, agora Leite será responsável por manter a governabilidade do tucano, que tem a maioria dos vereadores a seu lado. Dos 55 vereadores, 34 pertencem à base do prefeito.

Nesta gestão, porém, a Câmara será menos amigável a Covas, já que a presença do PSDB caiu, a esquerda cresceu e também proliferou uma direita que faz oposição ao grupo político de João Doria (PSDB), do qual Covas faz parte.

Somando PSOL e PT, a esquerda terá 14 dos 55 votos na Casa. Há ainda três vereadores do Patriota, ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre), além de uma vereadora bolsonarista.

Leite volta ao comando da Casa em ano de votação de um dos principais projetos da Câmara, a revisão do Plano Diretor. O projeto é de grande interesse do mercado imobiliário, que almeja baratear taxas cobradas sobre o setor e que são usadas em melhorias na cidade.

Milton Leite é conhecido pelo estilo trator ao aprovar projetos de aliados, o que garantiu a confiança de Doria como prefeito e, agora, como governador Doria. Na gestão estadual, Leite também tem indicações na pasta de Transporte e Logística.

Ele também foi um dos que atuaram na costura que resultou na indicação do vice de Covas, Ricardo Nunes (MDB).

Leite foi o segundo mais votado da Câmara, atrás apenas de Eduardo Suplicy (PT). Sua campanha foi uma das mais caras do país, com R$ 2,5 milhões em gastos.

Ele chegou a ser multado em R$ 15 mil por propaganda irregular devido à sua campanha, que era onipresente na zona sul da cidade, conforme o jornal Folha de S.Paulo publicou.