Com aumento de casos de Covid-19, Venezuela recebe mais 80.000 doses de vacina Sputnik V

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CARACAS (Reuters) - A Venezuela recebeu um novo carregamento de 80.000 doses da vacina russa Sputnik V contra o coronavírus, afirmaram autoridades neste sábado, no momento em que casos de Covid-19 disparam no país e parlamentares de oposição criticam a campanha de imunização do governo.

A remessa leva o total de vacinas que a Venezuela recebeu a 880.000, disse o ministro da Saúde, Carlos Alvarado. Ele disse que o governo concentraria a inoculação desse novo carregamento em profissionais de saúde e idosos. A Venezuela também imunizou autoridades públicas, bombeiros, agentes de proteção civil e trabalhadores que distribuem oxigênio.

“O processo de vacinação da Venezuela avançou de maneira satisfatória”, afirmou Alvarado, em uma transmissão de emissora de televisão estatal no Aeroporto Internacional de Maiquetia, perto da capital Caracas, onde o avião com as vacinas aterrissou.

A outrora próspera nação sul-americana, afundada em uma profunda crise econômica que deixou o sistema público de saúde aos pedaços, havia recebido 300.000 doses de Sputnik V e 500.000 doses da vacina chinesa da Sinopharm 1099.HK, para uma população de aproximadamente 25 milhões de pessoas.

O novo carregamento chega no momento em que a Venezuela passa pela segunda onda do vírus que levou o governo do presidente Nicolás Maduro a estender as medidas de lockdown. O país relatou um total de 189.381 casos do novo coronavírus e 2.009 mortes, segundo dados oficiais.

A oposição tem pressionado Maduro a permitir mais vacinas da iniciativa Covax, da Organização Mundial de Saúde, que reserva doses para países mais pobres. O governo e a oposição têm travado discussões sobre o uso de fundos congelados nos Estados Unidos, sob sanções com o objetivo de depor Maduro, para comprar essas doses.

Maduro afirmou anteriormente esta semana que o governo fez pagamentos ao Covax para cerca de 11 milhões de vacinas, mas não especificou quais fundos foram usados e as doses ainda não chegaram.

(Reportagem de Luc Cohen em Caracas)