Com aumento de casos de Covid-19, SP suspende agendamento de cirurgias eletivas

Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO — Em meio a um aumento do número de internações, o governo de São Paulo anunciou que determinou que hospitais públicos e privados suspendam o agendamento de novas cirurgias eletivas. A decisão foi tomada após as internações no estado aumentarem 18% na última semana.

Segundo as autoridades do governo estadual, o objetivo da medida é evitar a desmobilização de hospitais públicos e privados enquanto a equipe técnica avalia o crescimento de casos no estado. O objetivo é compreender se é um crescimento isolado ou não.

— Essa elevação da curva promove a necessidade de medidas estratégicas e de forma cautelar serão tomadas. Dessa maneira, sempre com o compromisso de preservar vidas, assinamos um decreto que determina a não-desmobilização de qualquer leito voltado ao atendimento de Covid, assim como a realização de novos agendamentos de cirurgias eletivas — afirmou o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Nesta quarta-feira, o GLOBO revelou que uma nova análise da Info Tracker - ferramenta que monitora o avanço da Covid-19 em São Paulo - aponta um aumento de 10,7% nos casos suspeitos de Covid-19 na Grande São Paulo. Em 1º de novembro, a região tinha 597.348 registros, mas na terça-feira, dia 17, o número saltou para 661.081. Só na capital paulista, o aumento é de 10% nos últimos 17 dias.

Na última semana, o governo de São Paulo adiou a reclassificação das fases de flexibilização de cidades de acordo com o Plano SP para o dia 30. A mudança foi criticada por alguns especialistas que apontaram que a nova data era um dia após o segundo turno das eleições municipais. Em entrevista coletiva nesta quinta, o governador João Doria rechaçou esse tipo de crítica.

— Nenhum fator político, ideológico, partidário ou eleitoral influi ou se sobrepõe a decisões relacionadas a saúde em São Paulo — disse.

De acordo com Jean Gorinchteyn, a medida teve, na realidade, objetivo restritivo. Segundo ele, a reclassificação, após semanas de quedas no número de casos e óbitos, estava ocorrendo a cada 14 dias. Agora, ocorrerá a cada duas semanas exatamente porque há sinais de aumento de casos.

O governador de São Paulo comemorou também a chegada das primeiras doses da vacina CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac. Doria, entretanto, criticou os problemas burocráticos para aprovação da vacina.

Na semana passada, os testes que estão sendo feitos em parceria com o Instituto Butantan, foram suspensos pela Anvisa após a morte de um voluntário. No dia seguinte, entretanto, foi divulgado que a morte não tinha relação com os testes.

— Não podemos perder tempo com burocracia ou com discussões inúteis de ordem política, eleitoral, ideológica, enquanto brasileiros morrem. Não é justo, não é correto. Não é humanitário que discussões de ordem política se sobreponham à vida e à existência. Chega — afirmou Doria.