Com aumento no número de casos, presidente do Einstein teme que hospital não consiga atender demanda

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Brazilian Doctor Sidney Klajner, President of the Albert Einstein Israelite Hospital, speaks during an interview with AFP, in Sao Paulo, Brazil, on November 16, 2020. - Brazil, the second country in the world with the most deaths from coronavirus, is registering an increase in hospitalizations that raises fears of a second wave of the pandemic like the one that is hitting Europe and the United States. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein (Foto: Nelson Almeida/AFP via Getty Images)

O Hospital Israelita Albert Einstein é um dos mais conhecidos do Brasil em questão de excelência. Mas, mesmo o bom atendimento do hospital pode colapsar com o ritmo de crescimento da covid-19. O alerta foi feito pelo presidente do Einstein, o médico Sidney Klajner.

“Projeção, infelizmente, não é boa para as próximas semanas, haja visto o comportamento da nossa população em termos de precaução e de aglomeração, não distanciamento. Haja visto a transmissibilidade aumentada com as novas variações, principalmente a que vem do Amazonas. Há uma série de fatores que têm contribuído para o aumento de casos”, relata. Klajner ainda contou que na terça-feira, 2, o hospital bateu o recorde de internações por coronavírus, com 162 pacientes.

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Ele ainda teme que deixem de ser atendidos não só pacientes com covid-19, mas com outras doenças. “O risco, a partir de agora, é que o número de casos covid aumente tanto que possa colocar em risco o atendimento de uma instituição como a nossa à outras doenças. Algo que seria grave para a população no geral”, afirma.

Na última sexta-feira, 26, chamou atenção que o hospital divulgou que tinha 104% de ocupação. Isso, no entanto, não quer dizer que pacientes deixaram de ser atendidos no hospital.

“Quando a gente fala em 104% de ocupação, nenhum paciente que procurou o Einstein deixou de receber atendimento ou deixou de ser internado, apenas, ele contava com, além de 100%, pacientes que aguardam a disponibilização de deus leitos para subirem do pronto-socorro para o apartamento ou para a UTI ou para o local para o qual foi indicada a internação.”

SITUAÇÃO DOS MÉDICOS

Sidney Klajner é médico, mas não trabalha diretamente com a covid-19. Ele é cirurgião do aparelho digestivo e acumula o cargo de presidente do Einstein. Com a pandemia e o aumento da carga de trabalho, sentiu, pela primeira vez na vida, necessidade de fazer terapia.

“Todos os médicos, especialmente esses da linha de frente, estão em um grau de estafa, de quase burnout, muito grande. Se eu, como cirurgião do aparelho digestivo, que não tem nada a ver com covid, mas que também acumulo cargo na liderança do hospital, passei a fase terapia no segundo semestre do ano passado, você imagina quem está na linha de frente. Fisioterapeuta que está convivendo com paciente com insuficiência respiratória, o intensivista, pneumologista, o nefrologista. Sem finais de semana, sem muito convívio pelo número de pacientes. É um momento muito ruim e muito grave”, descreve.

Klajner conta que o Einstein sempre teve um programa para cuidar da saúde mental dos profissionais da saúde, mas houve uma reformulação para adequar o sistema durante pandemia. O “Ouvid” treinou 400 profissionais para ser como um CVV (Centro de Valorização da Vida) para os médicos do hospital. A qualquer hora do dia, qualquer dia da semana, os médicos podem ligar para o número e são atendidos.

“Existe sim o cuidado com saúde mental, existe o afastamento de profissionais à beira do burnout. É algo que a gente tem tido a preocupação, mas muito antes da pandemia”, afirma.

VACINA E CUIDADOS

Sidney vê dois caminhos para que o país melhora a situação atual: proteção, com uso de máscara, isolamento, higiene das mãos, e a vacinação. No entanto, avalia que a imunização está “caminhando a passos muito lentos”.

No Einstein, a ordem de vacinação foi designada pelo risco que cada profissional corre. Quem estava na linha de frente foi vacinado primeiro. O presidente recebeu o imunizante na terceira semana, por atender casos de emergência, e, na última sexta-feira, 26, teve aplicada a segunda dose. Klajner conta que precisou operar um caso de apendicite aguda. Apenas após a internação o paciente em questão descobriu que estava infectado pelo coronavírus.

O hospital está envolvido no nosso posto de drive-thru, inaugurado na terça-feira, 2, no Estádio do Morumbi. O Einstein cedeu profissionais para aplicação de vacinas no local.

Sobre a falta de cuidado das pessoas, Sidney conta que fica chocado com convites que recebe para participar de reuniões e celebrações. “Eu aqui proibi reuniões na hora do almoço, como era praxe. Ou é antes, ou é depois. Não vou tirar a máscara”, disse.

Para ele, os médicos precisam ser exemplos nos cuidados. “Nós, profissionais da saúde, médicos, gestores, aqueles que exercem alguma liderança, têm a obrigação de fornecer uma mensagem diferente. A mensagem que a gente passa é a do nosso comportamento, não adianta falar uma coisa e fazer outra. É isso que me choca às vezes.”

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