Com avanço de vacinação no mercado externo, governo projeta recorde para balança comercial em 2021

Gabriel Shinohara
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BRASÍLIA — A melhora na conjuntura econômica mundial e as perspectivas de avanço no processo de vacinação em vários países fizeram com que o governo passasse a projetar um recorde para o saldo da balança comercial de 2021. A expectativa é que US$ 89,4 bilhões entrem no país. Se concretizado, seria o maior resultado desde o início da série histórica, em 1989.

A projeção anterior para a diferença entre as exportações e importações foi feita em janeiro e chegava a US$ 53 bilhões.

Para chegar nessa nova projeção, o governo aumentou as expectativas para as exportações, que chegariam a US$ 266,6 bilhões, também o maior número da série histórica, e das importações, que seriam de US$ 117,2 bilhões.

O secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, citou um cenário econômico mais favorável, com perspectivas de crescimento do comércio e da atividade no mundo.

— Há toda uma conjuntura mais favorável, isso evidentemente trazida pela perspectiva de processos de vacinação mais rápidos, mais céleres, em todos os países do mundo, sobretudo os desenvolvidos e em menor escala os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, que vem acelerando também o seu ritmo de vacinação. Tudo isso vem trazendo uma perspetiva mais favorável ao comércio internacional — disse o secretário.

Ferraz também ressaltou que a balança comercial deste ano deve ter resultados melhores da indústria de transformação e extrativa, além da agricultura. Ele pontua que há um cenário de juros baixos em vários países do mundo e também destaca o efeito do pacote fiscal nos Estados Unidos, que deve contribuir para uma “pujança maior” da economia americana, o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

Além disso, Ferraz lembra que a Covid-19 trouxe mudanças no consumo das pessoas, diminuindo a atividade no setor de serviços e aumentando os gastos de alimentos e de bens manufaturados.

— Hoje há uma tendência dos consumidores de redirecionarem seus recursos para o consumo de bens manufaturados e bens agrícolas, o que também contribui para uma expectativa maior — explicou.

A projeção do governo contrasta com o resultado da balança comercial do primeiro trimestre. O saldo foi de US$ 1,6 bilhão, o menor para o período desde 2015, apesar do aumento tanto nas exportações quanto nas importações na comparação com o mesmo período de 2020.

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, explica que o resultado do trimestre foi afetado pelas nacionalizações das plataformas de petróleo no regime do Repetro (regime tributário especial para o setor de petróleo). Sem essas operações, o superávit do período seria de US$ 7 bilhões, segundo Brandão.

— Na exportação, estamos prevendo 27% de crescimento (no ano) e no mês de março foi de 28%, então no mesmo patamar. Na importação, a previsão é de 11,6% e o crescimento de importação no trimestre sem essas operações, sem essas plataformas, é de 12,5%. A trajetória está bem condizente entre o esperado e o que foi realizado até agora — afirmou.