Com bloqueio da PM, passageiros enfrentam fila quilométrica para embarcar na estação do metrô da Pavuna

Diego Amorim

RIO - No primeiro dia útil de bloqueios da Polícia Militar em estações de trem, metrô e barcas do Rio, uma fila quilométrica se formou na Pavuna, Zona Norte do Rio, estação terminal da linha 2 do MetrôRio. Antes das 6h30m desta segunda-feira, centenas de pessoas esperavam para subir a passarela e entrar na estação. No local, policiais e funcionários da concessionária conferem contracheques ou outros documentos que comprovem a necessidade de embarque

- Eu acho necessário. Sou enfermeira e não tenho como ficar em casa. Então é válido que haja bloqueio como uma forma de conscientização das pessoas. Quem puder deve ficar em casa - afirma Valéria Montenegro, de 32 anos, que trabalha no Hospital municipal Salgado Filho, no Méier.

Por volta das 6h30m, tentando agilizar o andamento da fila, policiais andaram no sentido contrário à fila indagando quem tinha, em mãos, a carteira dos conselhos regionais de Enfermagem (Coren) ou de Medicina (CRM). Além de profissionais da área da saúde, apenas trabalhadores de setores considerado essenciais pelo governo podem embarcar apresentando a identidade profissional, crachá ou carteira de trabalho. Além deles, os pacientes em tratamento podem apresentar o atestado, agendamento ou algum outro documento comprobatório da sua condição médica.

Na fila, passageiros relatem o medo de perder o emprego caso não consigam embarcar:

- Eu não sabia que teria esse bloqueio. Sou prestador de serviços em uma operadora de telefonia, no Centro do Rio. Meu patrão não liberou a gente. Como vou chegar no horário? De ônibus, levo o dobro do tempo, às vezes até mais - lamenta um trabalhador, que não quis se identificar. - Eu entro às 8h, mas acho que não chego antes das 10h no meu local de trabalho.

A auxiliar de serviços gerais Lucenir Maria, de 57 anos, não conseguiu embarcar. Ela trabalha em um estacionamento na Glória, Zona Sul do Rio. Após a negativa na hora de entrar na estação, o jeito foi ligar para o patrão e tentar explicar a situação vivida.

- Estou há 12 anos nesse emprego. Meu chefe já me conhece e sabe bem da minha índole. Eu não vou porque não consigo ir. Mas sei que muita gente aqui vai perder o emprego, é uma crise global, nunca antes vista. Será que todo empregador vai saber compreender as nossas dificuldades? Eu torço para que sim - afirma a moradora de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. - Eu pego um ônibus até aqui e sigo no metrô.

Dúvidas e divergências

Até entre os próprios policiais miliares, há dúvidas e divergências sobre o que é considerada uma atividade essencial. Um dos usuários na fila é vigilante numa empresa privada no Centro do Rio. Ao perguntar aos agentes se conseguiria embarcar, precisou esperar os PMs conversarem entre si e chegarem a uma conclusão. No fim, ele seguiu na fila com a promessa de conseguir embarcar.

Apesar do bloqueio no Metrô, até as 7h não havia registro de tumulto nem confusão no local. Segundo usuários, o tempo de espera na fila varia entre 20 e 25 minutos.

As restrições são previstas pelo governo do estado no Decreto nº 46.980, de 19 de março. Desde o último sábado (21), há pontos de controle nas estações do metrô de Pavuna, Engenheiro Rubens Paiva e Acari, em 15 estações da SuperVia (Japeri, Engenheiro Pedreira, Queimados, Austin, Comendador Soares, Nova Iguaçu, Mesquita, Edson Passos e Nilópolis, Belford Roxo, Pavuna, Saracuruna, Gramacho, Duque de Caxias e Corte Oito); e estação Arariboia, da CCR Barcas, em Niterói, Região Metropolitana.

Em razão de restrições de mobilidade e suspensão de diversos serviços na cidade, o MetrôRio registrou redução de 71% no fluxo de passageiros na última sexta-feira (20), chegando a 78% de queda no sábado (21), em comparação com a semana anterior.

Estações de trem e barcas fechadas

Nove estações de trem da SuperVia estão fechadas para embarque e desembarque: ramais Japeri (Juscelino, Olinda, Lages e Paracambi), Belford Roxo (Coelho da Rocha, Agostinho Porto e Vila Rosali) e Saracuruna (Jardim Primavera e Campos Elíseos). Já no sistema aquaviário, foi interrompida a operação nas estações de Charitas e Cocotá (Ilha do Governador).