Com Bolsa e renda fixa no vermelho, patrimônio dos fundos de pensão encolhe a R$ 974 bilhões

João Sorima Neto
·2 minuto de leitura

SÃO PAULO —O patrimônio dos fundos de pensão fechados somou R$ 974 bilhões em setembro, menos do que os R$ 982 bilhões registrados em julho, último dado disponível. Os números foram divulgado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), entidade que representa o setor, nesta quinta-feira. Ainda assim, o presidente da entidade, Luís Rcardo Martins, avaia que os fundos vêm se recuperando dos estragos causados pela pandemia e devem fechar o ano atingindo a meta de R$ 1 trilhão em ativos em 2020.

— A pandemia nos levou reservas, mas já estamos recuperando. Em março, o déficit dos fundos de pensão, chegou a R$ 58 bilhões. Em setembro, já recuperamos metade desse déficit. Em que pese a rentabilidade negativa de alguns fundos de renda fixa, em setembro, a Bolsa voltou aos 100 mil pontos e podemos alcançar 110 mil a 120 mil pontos. Acreditamos que será possível bater a meta atuarial e até superar se esse cenário se mantiver - disse Martins.

Cada um dos 300 fundos de pensão tem sua própria meta, que depende da idade média dos participantes. Na Previ, por exemplo, fundo de pensão do Banco do Brasil, a meta é uma rentabilidade de 4,75% este ano, além da variação do INPC.

Diante desse cenário de volatilidade no mercado financeiro, a rentabilidade dos fundos de previdência fechados está acumulada em 1,70% no ano, menor do que a taxa Selic, que está no patamar de 2% ao ano. Em 12 meses, a rentabilidade dos fundos é de 6,23%. Em setembro, ficou negativa em 0,27%.

Em setembro, a Bolsa teve um desempenho negativo de 4,8%. Em outubro, o Ibovespa recuou 0,88%, mas após a definição das eleições americanas retornou ao patamar dos 100 mil pontos, neste mês. Até mesmo alguns fundos de renda fixa fecharam setembro com perdas. Esse desempenho negativo na renda fixa refletiu o receio dos investidores com o quadro fiscal do Brasil e uma emissão maior de papéis do Tesouro Selic pelo Tesouro Nacional.

Martins observa que cenários de stress são previstos na estratégia de investimento dos fundos. Ele diz que ninguém poderia prever o impacto negativo inesperado que uma pandemia poderia trazer. Os fundos já tinham revisto suas políticas de investimentos para um cenário de juro baixo, com maior diversificação dos investimentos. Ele lembrou, por exemplo, que está sendo debatido aumento do limite das aplicações no exterior. Atualmente, o perfil desses fundos, entretanto, é conservador, com 74,3% dos recursos aplicados em renda fixa e 18,1% investidos em renada variável.

—A solvência do sistema está em 96% atualmente. Antes da pandemia, era de 100%. Países como Canadá e Estados Unidos tinham solvência de 83% e 60% antes da pandemia —lembrou Martins.

Atualmente, há 2,7 milhões de participantes ativos e 837 mil aposentados e pensionistas.