Com Brasil na dianteira, multilatinas enfrentam desafios da recessão e esperam por retomada econômica neste ano

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As multilatinas são empresas que nasceram em algum país da América Latina e têm operações não somente na sua nação de origem, mas em pelo menos duas outras localizações. Também acontece de ter mais de uma nacionalidade, como quando há uma fusão entre companhias, que é o caso da Lan, do Chile, e da Tam, do Brasil, formando assim a Latam Airlines – maior companhia aérea da região.

Um estudo da Deloitte afirma que quando a empresa tem receitas significativas provenientes de operações no exterior e operações e recursos pelo mundo pode ser classificada como Latina Global.

De acordo com o ranking 2016 da América Economía Intelligence, que considerou as 100 multilatinas com vendas de mais de 250 milhões de dólares ao ano, o Brasil lidera em número com 30 companhias na lista, seguido pelo México, que tem 26 e o Chile com 18. Depois aparecem: Colômbia (9), Argentina (7) e Peru (5). Panamá, Guatemala e Venezuela tem uma cada.

Ainda estão na lista duas empresas com nacionalidades divididas. A Latam e a Avianca, da Colômbia e de El Salvador, também do setor de aviação.

Desafios

Após dois anos de recessão, a América Latina deve crescer 1,5% neste ano e avançar no processo de constituição de um mercado regional para acelerar a expansão econômica, de acordo com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

A crise impactou fortemente a receita total das 500 maiores empresas não financeiras da região. O valor registrado em 2015 foi de US$ 1,88 trilhão, abaixo dos US$ 2,54 trilhões em 2014, segundo a Latin Trade 500.

Apesar da desaceleração da economia latino-americana, provocada pela queda dos preços das commodities, as condições para iniciar um negócio continuam a melhorar na maioria dos países. A região como um todo marcou 80,5 pontos no Latin Business’s Entrepreneur Index 2017, um aumento de cinco pontos em relação ao ano anterior.

O índice calcula a facilidade de iniciar e operar uma empresa em 18 países da América Latina com base em cinco indicadores. Os três principais da lista que mostram consistentemente os melhores ambientes para negócios são Chile, Panamá e Colômbia.

Uma das vantagens de se tornar uma multilatina é diversificar a atuação. “A proposta é que as empresas invistam em um planejamento contínuo, diversificando as oportunidades e os riscos, e que não se limitem a reduzir custos para ganhar competitividade. Para as que toparem o desafio de estruturar os negócios e redefinir o ritmo de crescimento para o longo prazo, o recado é que há uma boa oportunidade não muito longe, bem ao lado”, afirma Anselmo Bonservizzi, sócio da área de Consultoria Empresarial da Deloitte, no estudo “Como se tornar uma Multilatina – Principais fatores para uma atuação regional na América Latina”.

Segundo o estudo, as Latinas Globais tendem a ser fortes em três áreas: criar uma posição de liderança de mercado em seus mercados locais, desenvolver estratégias e capacitações que focam em aquisições e joint ventures como o principal meio para o crescimento global e adotar práticas de governança de nível internacional.

Além disso, têm os benefícios estruturais: disponibilidade e retenção de altos executivos qualificados para conduzir expansões internacionais e acesso a mercados de capitais e financiamento.

Entre as brasileiras com as melhores posições no ranking da América Economía Intelligence, aparecem o Grupo JBS (alimentos), Gerdau (siderurgia) e Marfrig (alimentos). Além da Latam (aviação), que divide a nacionalidade com o Chile. Com exceção da companhia aérea, que conquistou o primeiro saldo positivo desde que foi formada há quatro anos – 69 milhões de dólares em 2016 -, as outras três empresas registraram queda no lucro líquido. O destaque ficou para o Grupo JBS, que viu seu resultado despencar 91,9% em relação a 2015 – de 4,64 bilhões de reais para 376 milhões de reais.

Multinacionais

De acordo com a América Economía Intelligence, os países que mais colocaram sua bandeira na América Latina são os Estados Unidos (40), seguido por Alemanha (9), Espanha e França (8).

O setor mais comum é de longe o automotivo (19), depois vem o manufaturado (9), agronegócios (7), mineração (7) e bens de consumo (7).

Do ponto de vista de países que recebem filiais de multinacionais, quem tem o maior número é o Brasil (90). Aparecem na sequência México (85), Argentina (81), Colômbia (71), Chile (68) e Peru (66). Apesar de todos os problemas, a Venezuela tem 52. Considerando a região da América Central e do Caribe, o número de empresas multinacionais presente é de 64.

Por Daiane Brito