Com Carioca feminino cancelado pela Ferj, clubes criam torneio alternativo e disputam 'Taça Pretinha'

Giulia Costa
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Ferroviária e Corinthians decidem no próximo domingo a final do Campeonato Paulista feminino, enquanto no Rio, o estadual deste ano foi cancelado. As duas últimas equipes campeãs brasileiras se enfrentam pelo título do estado, que tem sido exemplo de investimento na modalidade, e onde jogam mais da metade dos nomes chamados pela técnica Pia Sundhage na última convocação da seleção brasileira. Já a Ferj, optou por não realizar a competição estadual devido a pandemia, apesar do campeonato masculino ter sido o primeiro a retornar após a paralisação em função da crise de Covid-19.

— Por um lado, não ter campeonato não vai colocar em risco a vida das atletas. Por outro, mostra que arcar com um bom protocolo de segurança que atenda o feminino da mesma forma que o masculino não entra na agenda da Ferj — pontua Juliana Arreguy, jornalista do “UOL” especialista em futebol feminino.

Dos campeonatos organizados pela Ferj, entre mesulino e feminino, profisisonal e de base, 16 foram cancelados em 2020, incluindo o Carioca feminino. De acordo com a entidade, a decisão de suspendê-lo foi tomada com o “objetivo de preservar vidas e diminuir o risco de transmissão”, e que “não houve posição contrária à suspensão”. No entanto, responsáveis de algumas das equipes que participariam do Carioca, alegam que sequer foram consultados.

— Nós recebemos o comunicado por e-mail, mas em nenhum momento fomos questionados se tínhamos alguma coisa a opor — disse Anderson Santos, coordenador técnico da Academia Pérolas Negras.

A Ferj ainda não confirmou as datas para o campeonato feminino de 2021, mas para a narradora do carioca feminino Luciana Zogaib, diante do cenário, é preciso buscar alternativas desde já.

— Olhando para São Paulo, estamos bem distantes, e isso ficou claro com o Flamengo não tendo sequer passado de fase no Brasileiro. A Ferj e os clubes maiores poderiam buscar mais parcerias com empresas interessadas no futebol feminino para conseguirem outra projeção, aproveitando o modelo da federação paulista — disse Zogaib, que é jornalista do “Damas do Esporte”.

Torneio alternativo

Ainda sem acesso a competições internacionais, times de menor investimento tem o estadual como a única competição do calendário. Para evitar um ano de hiato, oito clubes cariocas se juntaram para disputar a Taça Diamante Pró, organizada pela Unifoot (União de Clubes de Futebol Feminino do Rio de Janeiro).

A grande final da competição em turno único também acontece no próximo domingo, entre Portuguesa e Pérolas Negras, às 15h no estádio Caio Martins, em Niterói. As equipes da Ilha do Governador e de Resende disputam o troféu batizado de Pretinha, em homenagem a um dos principais nomes do futebol feminino no país.

— É um campeonato que vem nos ajudando bastante nesse momento difícil que estamos passando em meio à pandemia. A competição está sendo bem organizada, seguindo os protocolos de segurança, testes e distanciamento. Só tenho a agradecer, porque nós atletas precisamos estar treinando e competindo para manter o alto rendimento — afirma Rô, capitã da Portuguesa.