Com carnaval em julho, escolas de samba já planejam abrir barracões

Luana Dandara e Gustavo Goulart
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Alexandre Cassiano / Agência O Globo

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Alexandre Cassiano / Agência O Globo

RIO — Passada a indefinição sobre a data do carnaval de 2021 — a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) decidiu nesta segunda-feira que os desfiles, previstos para fevereiro, vão ocorrer em julho, caso haja vacina—, as escolas de samba do Rio se preparam para abrir seus barracões. Presidente da Vila Isabel, Fernando Fernandes diz que o trabalho da agremiação na Cidade do Samba, hoje às moscas, começa em dez dias, com todos os cuidados sanitários para evitar a propagação do novo coronavírus.

—Vamos começar organizando o espaço com o menor número de funcionários possível e fazer o protótipo de fantasias. Já está tudo desenhado — diz ele, que acredita que o tempo será suficiente para preparar a festa.

Para Gabriel David, presidente da Beija-Flor, o ideal é que os trabalhos no barracão comecem em janeiro, com todo o material comprado. Ele diz que ainda está estudando os protocolos de segurança a serem tomados, mas diz acreditar que não haverá aglomeração, já que o barracão é espaçoso:

—O espaço no barracão é grande, acredito que será mais uma realocação de algumas áreas para que haja o distanciamento. Acho que a maior questão não é o trabalho na Cidade do Samba, mas os ensaios. Eles precisam de aglomeração e isso me preocupa. Nosso objetivo é começá-los em maio, mas não sabemos se até lá a população estará vacinada. No pior dos cenários, conseguimos fazer os ensaios no mês de junho. Para colocar a escola na Avenida é preciso ensaio de rua.

Folia em todo Brasil

Outra preocupação dos carnavalescos é com os recursos para fazer a festa, já que ainda não há nem sinal de subvenções e patrocínios. Por causa da falta de verba, o presidente da São Clemente, Renatinho Gomes diz que sequer tem condições de abrir o barracão da agremiação. Para ele, o resultado das eleições municipais vai impactar o futuro das escolas.

—É preciso ter uma definição de qual vai ser o prefeito. Se for um, vai ser uma coisa; se for outro, vai ser diferente. Não tem verba nenhuma até agora. Quero abrir meu barracão, mas eu não tenho um tostão — lamenta.

O presidente da Beija-Flor prevê que a festa vá custar ainda mais do que no ano passado, quando o governo estadual repassou 1,5 milhão a cada escola do Grupo Especial por meio da Lei do ICMS.

—Por conta dos protocolos que serão necessários implantarmos para os funcionários, devido à Covid-19, as escolas terão um custo mais elevado, então precisamos de um aumento do dinheiro. Ainda falta a Liesa explicar o planejamento da verba —diz Gabriel.

O presidente da Vila Isabel faz coro:

—Já está tudo desenhado, mas é preciso verba para a compra de materiais. Vamos fazer aos poucos, a expectativa é que em janeiro já saia esse dinheiro para aumentar a produção na Cidade do Samba.

Segundo o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, o governo do Estado já se manifestou em oferecer financiamento através de lei de incentivo.

—Sem subvenção. Teremos a lei de incentivo do ICMS, a venda de ingressos e o direito de transmissão de televisão — espera Castanheira.

Pela previsão da Liesa, os desfiles no Rio devem acontecer a partir do dia 9 de julho. Para que a folia seja unificada em todo o país, o deputado federal Luizinho (PP) apresentou um projeto de lei instituindo feriado nacional entre os dias 9 e 12 de julho. Ainda não há prazo para a votação.