Com chope liberado, Pazuello participa de ato de campanha em tom bolsonarista: ‘Calcanhar de Aquiles das urnas é a transparência’

Ao som da música “Tropa de elite” e empunhando uma camisa com o rosto do presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro da Saúde e general da reserva Eduardo Pazuello participou de um ato de pré-campanha com direito a chope e salgadinhos liberados num restaurante a quilo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, na última quinta-feira. Com planos de disputar uma cadeira de deputado federal pelo PL, Pazuello apresentou para seus potenciais eleitores um cardápio de pautas bolsonaristas: lançou dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, denunciou os planos do “Foro de São Paulo” de implantar o comunismo no Brasil e defendeu que Bolsonaro seja “aclamado” pela população.

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— Eu me considero, junto com os demais candidatos do PL e dos partidos da base, a tropa que o presidente vai ter pra 2022. Nós temos que estar juntos e entrar todos juntos — disse o ex-ministro, repetindo o bordão que também vem usando em suas postagens nas redes sociais: “#tamojunto”.

Organizado pelo grupo “Movimento Elite Popular” (MEP), formado por ativistas conservadores, o encontro reuniu em torno de 100 pessoas. Na plateia estavam presentes moradores da Barra, empresários, militares, além de Paulo Figueiredo, anunciado como presença ilustre — ele é filho do ex-presidente da ditadura militar João Figueiredo.

Também participaram do ato, anunciado como um debate sobre a “Formação da base política da direita conservadora contra o ativismo político e judicial”, outros pré-candidatos bolsonaristas. Entre eles estavam Roberto Mott, ex-secretário de Governo de Wilson Witzel; e o ex-assessor e amigo de Bolsonaro Waldir Ferraz — o Jacaré — que foi econômico em seu discurso se limitando a lembrar que era “amigo pessoal” do presidente há décadas e o criador das “motociatas”.

“Tira uma foto”

Estrela da noite, Pazuello chegou ao local vestindo polo e calça jeans, posando sorridente para fotos com os apoiadores. “Tira uma foto minha com o general”, tietavam os presentes. Antes de dar início aos trabalhos, os organizadores tocaram o hino nacional, seguido de um Pai Nosso.

Em sua apresentação, o ex-ministro reconheceu que não tem muito traquejo político, pois ainda está “focado na vida militar” que teve. Ele indicou que a segurança pública será “foco número um” de sua campanha, mas evitou se prolongar sobre seus projetos. Preferiu enfatizar a importância dos conservadores se mobilizarem para as eleições nacionais.

Após dizer que “confiava” no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde afirmou existir “gente de bem”, o general da reserva usou uma metáfora de combate para desacreditar o sistema de votação eletrônico do Brasil.

— Você sabe que todo inimigo tem um calcanhar de Aquiles. O do (nosso) inimigo é a transparência das urnas. Vamos bater nele — incitou.

Ele lembrou que o Exército foi convidado pelo ministro do TSE Edson Fachin para apresentar sugestões de melhorias no sistema de votação. Porém, disse que em sua visão as respostas do Tribunal para os questionamentos não foram suficientes. A Corte apontou inconsistências em pontos listados pela Força.

— Nós não merecemos rompimentos constitucionais, não merecemos aventuras. Mobilizem-se para que a gente tenha um Brasil tranquilo — disse, buscando rechaçar apoio à possibilidade de um golpe.

Divulgado nas redes sociais, o encontro ocorreu de forma improvisada no salão do restaurante. Ao lado de quadros de motos Harley Davidson que decoram o espaço, foram coladas bandeiras do Brasil e uma do estado do Rio. Durante o evento foram ouvidos alguns gritos de "Lula" e "Fora Bolsonaro", prontamente retrucados com "Lula na cadeia" pelos participantes.

Teorias lançadas

Entre um salgadinho e outro, Pazuello ouvia atento as intervenções da plateia, que mobilizou um repertório caro aos bolsonaristas. Um homem afirmou que tinha recebido em seu WhatsApp uma denúncia de que as urnas anulariam os votos em Bolsonaro, caso o eleitor não indicasse candidatos para todos cargos em disputa no pleito.

Outro denunciou um suposto plano de dominação comunista que estaria em curso no estado do Rio de Janeiro, tendo origem no município de Maricá, que é governado pelo PT. Segundo sua teoria, a cidade já teria cooptado municípios vizinhos como Niterói e Itaboraí para financiar movimentos de esquerda e transformar o estado num pólo socialista. “É um absurdo o que estão fazendo em Maricá, até ônibus de graça tem lá”, afirmou. Foi a deixa para Pazuello evocar outra teoria popular entre os bolsonaristas.

— Vou fazer uma mea-culpa. Eu ouvi falar do Foro de São Paulo várias vezes. Mas nunca acreditei. Senhores, eles estão trabalhando nisso há mais de 20 anos, para implantar na América do Sul o bolivarianismo. O nome da Venezuela é República Bolivariana da Venezuela — apontou o general da reserva, completando: — E qual é o papel do Brasil? O financiamento.

Já em ritmo de campanha, Pazuello também vem se engajando em agendas fora da bolha de seu eleitorado mais ideológico. Na última semana, subiu ao palanque ao lado do governador Cláudio Castro (PL), em um evento oficial em Resende — cidade com grande presença de militares por ser sede da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) — onde foram anunciadas obras e investimentos em saúde. Ainda no Sul Fluminense, esteve em Volta Redonda, onde se reuniu com o prefeito da cidade, Antonio Francisco Neto (DEM), e registrou o encontro em suas redes sociais.

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