Com cinco milhões de casos no Brasil, psoríase ganha novo protocolo de atendimento à doença

Victor Farias
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BRASÍLIA — Os cinco milhões de brasileiros que vivem com psoríase terão, a partir deste ano um novo protocolo de atendimento à doença. A mudança, elaborada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), incorpora avanços científicos e tecnológicos ocorridos aos longos dos últimos oito anos, quando foi editado o documento anterior.

De acordo com a SBD, o texto servirá como referência para formulação de protocolos de atendimento e de políticas públicas voltadas aos pacientes com psoríase, tanto na rede privada quanto na rede pública. A entidade afirma que o documento ajudará na adoção ou exclusão de determinadas tecnologias para tratamento da doença.

— No passar desses anos, tivemos avanços em tratamentos, então são tratamentos mais avançados que permitem uma cura muito maior das lesões. Antes a gente não alcançava o desfecho tão mais favorável do que os que a gente consegue hoje — explica Sérgio Palma, presidente da SBD.

Segundo Palma, as mudanças no protocolo tornam o tratamento mais específico, dando mais eficácia e segurança aos pacientes com diferentes níveis da doença. Parte importante nesse processo é a adoção de medicamentos imunobiológicos, em casos considerados moderados a graves. Essas substâncias terapêuticas têm grande impacto no tratamento de doenças autoimunes, ao atuarem diretamente nas vias inflamatórias, afirma o presidente da SBD.

— Já tinham alguns imunobiológicos no documento anterior, poucos, mas agora a gente tem imunobiológicos com qualidade maior ainda e que conseguem um desfecho muito mais favorável — comenta.

— A gente consegue clarear essas lesões em um percentual muito maior que há oito anos — completa.

Apesar da SBD considerar esses medicamentos importantes no tratamento da psoríase, eles ainda não são disponibilizados nos planos de saúde. A Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) está com uma consulta pública aberta sobre o tema, que deve entrar em vigor em 2021. Caso as sugestões da SBD sejam acolhidas, esses remédios para tratamento da psoríase seriam disponibilizado aos pacientes com plano de saúde.

— Hoje o que a gente vê é que muitos pacientes através das operadoras de plano de saúde conseguem esse medicamento, mas naquela via crucis da judicialização, e isso é muito ruim, é um desgaste para todos, principalmente para o paciente — afirma.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica de pele e das articulações, autoimune, não contagiosa, que afeta cerca de 125 milhões de pessoas no mundo. Entre os principais sintomas estão lesões nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e nas genitais.

Segundo a SBD, dos 5 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença, cerca de 3,7 milhões (73,4%) sofrem impactos na sua qualidade. As lesões provocadas pela psoríase causam desconforto, comprometem movimentos e geram exposição dos portadores a situações de preconceito.

— A psoríase ela é uma doença benigna, mas os pacientes que apresentam um quadro mais extenso, que a gente chama de moderado a grave, ele compromete muito a qualidade de vida desses pacientes — explica Palma, acrescentando:

— As pessoas ainda imaginam que essa doença seja transmissível, pelo aspecto clínico do quadro extenso. O paciente fica vermelhado e descamando, ele solta escamas da pele. Então, isso traz também um grande preconceito e um prejuízo de socialização, no trabalho... — afirma.

Apesar de não ter cura, é possível reduzir o aparecimento de episódios da doença em seus portadores. Para isso, recomenda-se acompanhamento médico e adoção de hábitos de vida saudáveis, como: alimentação equilibrada, prática de atividade física, não fumar e evitar situações de estresse emocional. Também é recomendado o uso de hidratante e controlar a exposição diária ao sol.