Com cinco mulheres, governo líbio tem (um pouco) mais representatividade

Hamza MEKOUAR, Jihad DORGHAM
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Najla al Mangush, ministra líbia das Relações Exteriores, em Trípoli, em 17 de março de 2021

O novo governo líbio, descrito como um avanço político, inclui a presença de cinco mulheres - uma representatividade menor do que o prometido - mas que tem sido elogiado pelo "grande passo" e "início promissor" em direção à igualdade.

É uma "etapa importante para o avanço dos direitos das mulheres", reagiu a representante da ONU para Mulheres na Líbia. Um "momento histórico para as mulheres líbias", afirmou o embaixador americano, Richard Norland.

O novo Executivo, sob os auspícios de um procedimento da ONU, terá como objetivo tirar o país do norte da África de uma década de caos e divisões e organizar as eleições nacionais em dezembro.

Porém, com cinco mulheres entre os 26 ministros e seis ministros do Estado, o gabinete representa um avanço relativo na questão de gênero.

Najla al Mangush, uma ativista de Benghazi, foi premiada com a pasta das Relações Exteriores. Advogada de formação, al Mangush ficou conhecida em 2011, quando era membro do Conselho Nacional de Transição (CNT), um órgão oficial da revolução de 2011, que derrubou Muammar Kadhafi.

Mabruka Tuki, professora universitária de Fezzan, formada em Física Nuclear, vai chefiar o Ministério da Cultura, enquanto a jurista Halima Ibrahim Abderrahman, de Gharyan, será a nova Ministra da Justiça. Wafa Al Kilani e Huria al Tormal estarão encarregadas das pastas de Assuntos Sociais e de Assuntos da Mulher.

Então, por que falar sobre progresso?

Embora seu papel tenha sido crucial durante o levante de 2011, as mulheres líbias foram gradualmente removidas do processo de transição, com uma presença tímida em órgãos de transição e no Parlamento.

Nas redes sociais, a presença destacada de mulheres no governo do empresário Abdelhamid Dbeibah foi saudada como "um grande passo", um "salto para a sociedade" e um "começo promissor".

Em vez disso, as reações das ativistas foram diferentes, desapontadas porque o governo poderia ter feito mais.

"Estamos orgulhosas de ver líbias nomeadas para cargos de destaque, mas também infelizes que o primeiro-ministro não tenha cumprido seu compromisso de reservar 30% dos cargos para mulheres", afirmou Ghalia Sassi, presidente da associação "Ma'aha" ("Com ela").

No novo Executivo, as mulheres ocupam 15% dos cargos, metade do que foi prometido.

"Vamos pressionar para que o governo retifique" e "vamos garantir que as mulheres obtenham mais cargos em todos os setores em que estão ausentes", ressaltou Ghalia Sassi, lembrando o "longo caminho a percorrer".

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