Com compra de lojas do Extra, Assaí projeta vendas de R$ 100 bilhões e acirra concorrência entre os atacarejos

·5 min de leitura

SÃO PAULO —A compra de 71 lojas do Extra Hipermercados pelo Assaí coloca o atacarejo na briga pela liderança de vendas neste formato, posição atualmente ocupada pelo Atacadão, que pertence ao Carrefour. O presidente do Assaí, Belmiro Gomes, estimou que as vendas da marca podem chegar a R$ 100 bilhões em 2024, após a incorporação das unidades do Extra. Se a previsão se confirmar, as vendas do Assaí vão equivaler às do Carrefour, que em setembro passado projetou chegar aos mesmo R$ 100 bilhões, também em 2024.

— Para nós foi uma transação histórica para o crescimento. Dessas lojas, 63 estão em pontos estratégicos em 16 capitais ou em regiões metropolitanas, vão atrair uma população de maior poder aquisitivo —disse Gomes, lembrando que haverá conversões em estados como São Paulo, Salvador, e Rio de Janeiro, além de quase todo o Nordeste, e em cidades importantes da região metropolitana de São Paulo, como Osasco, Campinas, Santos e Sorocaba. No estado do Rio de Janeiro, oito lojas do Extra Hipermercados serão convertidas em Assaí.

Na quinta-feira à noite, o Assaí anunciou a aquisição dos pontos do Extra Hipermercado por R$ 5,2 bilhões. As duas redes pertencem ao Grupo Pão de Açúcar (GPA), controlado pelo grupo francês Casino. A marca Extra Hipemercados deverá ser extinta. No total, o GPA possui 103 lojas Extra Hipermercados e as 32 que não foram adquiridas pelo Assaí serão transformadas em Pão de Açúcar e Extra.

Nos últimos cinco anos, o Assaí já converteu 25 lojas do Extra Hiper e, segundo Belmiro Gomes, as vendas triplicaram, segundo o presidente da rede. Atualmente, são 192 unidades do Assai em 23 estados e até 2024 a expectativa é chegar a 338 unidades. O Assaí é a segunda maior rede de varejo do país, com vendas de quase R$ 40 bilhões, atrás do Carrefour, dono do Atacadão, que tem vendas anuais de R$ 74 bilhões, segundo ranking da Associação Brasileira de Supermercados.

Belmiro contou que a transação foi tratada pessoalmente por ele e pelo presidente do GPA, Jorge Faiçal. A iniciativa de comprar partiu do próprio Assaí. Gomes observou que hoje não existem terrenos disponíveis para expansão orgânica da marca em regiões entrais de grandes cidades. As lojas do Extra Hipermercados adquiridas foram construídas há 20 ou 30 anos. Essa barreira imobiliária foi um dos gatilhos para o negócio, disse o presidente do Assaí.

— Para construir uma loja nova, é preciso um terreno de 60 mil metros quadrados, para ter entre 7 mil e 8 mil metros de área de venda e estacionamento, algo impossível hoje em grandes centros. Além disso, o investimento em uma loja nova gira em torno de R$ 100 milhões. A conversão de uma unidade Extra em Assaí custa entre R$ 30 milhões e R$ 45 milhões e é mais rápida do que sair do zero —explicou Gomes.

Assaí ganha 420 mil metros de área de vendas

Pelo menos 420 mil metros de área de venda serão somados com a conversão das unidades Extra Hipermercados, o equivalente a quase 50% de acréscimo em relação à área de vendas que o Assaí possui atualmente. Como são empresas do mesmo grupo, o negócio não precisará passar pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que fiscaliza a concorrência no país. Isso, segundo Gomes, permite que a conversão das lojas seja feita de forma acelerada. Ele estima que entre 40 e 45 lojas já estejam convertidas em julho ou agosto do ano que vem e entre 28 a 30 unidades até o final de 2022.

Outro motivador da compra foi a aquisição este ano de 30 lojas do BIG (que pertencia Walmart) pelo Atacadão, que também devem ser convertidas para o modelo de atacarejo, acirrando a concorrência entre nesse segmento. Gomes afirmou que a compra das lojas do Extra Hipermercados não aconteceu antes da cisão do Assaí do GPA para abertura de capital na Bolsa, porque era necessário de autorização dos locatários para a conversão das lojas, já que há mudanças estruturais, o que não existia.

— A compra do BIG pelo Atacadão mudou o cenário, elevando a dianteira do grupo entre os atacarejos. Ao analisarmos possibilidades de compra, concluímos que o Extra era a única opção, porque não havia sobreposição em relação às nossas unidades —contou Belmiro, lembrando que seis unidades do Assaí serão fechadas.

Na pandemia, a venda dos atacarejos cresceu a um ritmo de dois dígitos, segundo os analistas, com a busca por alimentos. E a alta da inflação, perda de emprego e renda de parte da população levou a uma busca por esse modelo, que oferece preços pelo menos 15% mais baixos do que os hipermercados.

- Hipermercados já vinham sofrendo no mundo um processo de fadiga do formato, que foi acelerado pelo crescimento dos Clubes de Compra, nos Estados Unidos e Europa. E o consumidor que emerge da pandemia está ainda mais racional e focado em preços. Esse formato deve crescer ainda mais à medida que muitos consumidores estão ainda descobrindo as vantagens do modelo - analisa Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral da Gouvêa Ecosystem, consultoria especializada em varejo.

Para o presidente do Assaí, em 2022, a inflação deve continuar pressionado a renda dos brasileiros, o que levará á busca por preços mais baixos.

— O ano que vem será difícil com eleição, variação cambial, pressão sobre as commodities. E as pessoas continuarão em busca de preços —disse Gomes.

Analistas de mercado consideraram o negócio positivo para o GPA. Para Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, vai acelerar a expansão do formato atacarejo no portfólio do companhia. Ainda assim, as ações do Assaí caíam 4% por volta de 13h, enquanto os papéis do Pão de Açúcar subiam mais de 15%.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos