Com conta bloqueada, Hang doou R$ 300 mil a campanha de ex-secretário de Bolsonaro

Empresário Luciano Hang é um dos acusados de incentivar um golpe de Estado caso Bolsonaro perca as eleições para Lula. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Empresário Luciano Hang é um dos acusados de incentivar um golpe de Estado caso Bolsonaro perca as eleições para Lula. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Candidato ao Senado por Santa Catarina, Jorge Seif Junior (PL), ex-secretário da Pesca do governo de Jair Bolsonaro (PL) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter recebido R$ 300 mil de doação de Luciano Hang, proprietário das Lojas Havan.

Os valores chegaram ao candidato em dois repasses feitos no dia 13 de setembro, quando ainda estava valendo o bloqueio nas contas do empresário.

As contas bancárias de Hang foram bloqueadas por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em 23 de agosto, após uma reportagem do colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, mostrar que um grupo de empresários reunidos no WhatsApp estavam defendendo um possível “golpe de Estado”, caso Bolsonaro perca as eleições para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além do dono da Havan, outros sete nomes foram alvo do STF. A decisão de Moraes só foi revogada em 14 de agosto, um dia após a doação de Hang a Seif Junior.

Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, essa foi a única doação eleitoral feita por Hang até agora declarada ao TSE. A coluna procurou a assessoria do empresário para saber como ele conseguiu fazer a transferência, mas não obteve resposta.

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Além das contas bancárias, os empresários também tiveram as redes sociais bloqueadas por decisão do ministro do STF.

Foram acusados de conspirar abertamente por um golpe: Afrânio Barreira Filho, do restaurante Coco Bambu; Ivan Wrobel, da W3 Engenharia; José Isaac Peres, do grupo Multiplan; José Koury, dono do shopping Barra World; Luiz André Tissot, da Sierra Móveis; Marco Aurélio Raymundo, da Mormaii; e Meyer Joseph Nigri, da Tecnisa.

Os empresários bolsonaristas foram alvo de busca e apreensão em agosto. No último dia 14, o ministro destacou o feriado da Independência como motivo para manter as contas bloqueadas até as comemorações. Moraes apontou “fortes indícios de autuação para fornecer recursos para o alcance de objetivos escusos” nos atos ocorridos no último 7 de setembro.